Governo Trump restringe recomendações de vacinas infantis e exige doses separadas para sarampo, caxumba e rubéola
O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que estabelece diretrizes para uma reformulação profunda no calendário de imunização infantil no país. O plano determina que a vacina tríplice viral, conhecida como MMR e direcionada contra sarampo, caxumba e rubéola, seja fracionada em três aplicações distintas assim que os imunizantes estiverem disponíveis no mercado norte-americano. A determinação orienta que cada dose seja aplicada em visitas médicas separadas, ignorando a segurança, a praticidade e a economia financeira associadas à administração simultânea das substâncias defendidas pela comunidade científica.
Essa ofensiva busca restabelecer as alterações implementadas no início do ano pelo secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., nas diretrizes do CDC, as quais haviam sido bloqueadas por um juiz federal em março por infração à legislação do país. Com essa assinatura, o governo federal contorna o CDC, órgão técnico historicamente responsável pelas recomendações de saúde pública. De acordo com o planejamento divulgado pela administração, o número de doenças com imunização recomendada de rotina cairá de 18 para 11, mantendo o esquema completo apenas para seis vacinas, enquanto outras cinco passam a ser indicadas exclusivamente para grupos de alto risco e seis ficam sob regime de decisão clínica compartilhada entre médicos e responsáveis.
Impacto logístico e repercussão política
Especialistas e profissionais de saúde apontam que a obrigatoriedade de consultas médicas fragmentadas para cada dose imporá um obstáculo logístico e um fardo financeiro considerável às famílias e aos serviços médicos. Além disso, a ordem determina que o Departamento de Justiça atue contra leis estaduais que entrem em conflito com as novas diretrizes da Casa Branca, visto que a regulamentação sobre vacinas escolares compete tradicionalmente aos estados e municípios norte-americanos. Analistas jurídicos ponderam que ordens executivas configuram orientações para agências federais e carecem de força de lei aprovada pelo Congresso, embora possam exercer forte pressão política sobre as legislações estaduais.
Durante o anúncio oficial, tanto Trump quanto Kennedy insistiram em associar a imunização ao autismo, repetindo alegações desacreditadas por dezenas de estudos científicos que descartam qualquer nexo causal entre vacinas e o transtorno. A postura governamental gerou reações imediatas e veementes da comunidade médica e política. O senador e médico Bill Cassidy repudiou publicamente a medida, classificando-a como incorreta e perigosa por aumentar a hesitação vacinal e expor as crianças a riscos maiores, reforçando que a população deve seguir a orientação de pediatras em vez de decretos políticos imprecisos.