Irã ameaça destruir infraestrutura global de internet e redes de energia em caso de novas hostilidades dos EUA
O governo iraniano elevou o tom das advertências geopolíticas por meio de declarações recentes do porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), o general Ali Mohammad Naeini. Segundo informações divulgadas pela agência Fars, Teerã sinalizou que, em caso de novas hostilidades ou ameaças contra o país, redes energéticas e sistemas digitais de alcance global poderão sofrer impactos severos.
Durante seu pronunciamento, o general Naeini destacou uma alteração profunda na dinâmica militar dos Estados Unidos no Oriente Médio. De acordo com o porta-voz, o cenário atual difere drasticamente do período anterior à Guerra do Ramadã, quando Washington mantinha dezenas de embarcações de guerra posicionadas na área. Hoje, o panorama logístico na região do Golfo Pérsico mudou, o que, na visão da Guarda Revolucionária, fragiliza a capacidade de projeção de poder norte-americana.
Riscos à rede mundial de computadores e ao setor energético
Caso novas tensões se concretizem, o oficial iraniano assegurou que o retaliação não se limitará ao âmbito militar convencional. Entre os alvos potenciais citados estão extensas malhas de oleodutos, milhares de usinas geradoras de eletricidade e toda a infraestrutura digital conectada à internet, abrangendo tanto ativos dos Estados Unidos quanto de nações aliadas.
O Estreito de Ormuz como corredor digital vulnerável
Além das ameaças energéticas, o Estreito de Ormuz desponta como um ponto crítico para a segurança das telecomunicações globais. Em maio, no contexto de impasses diplomáticos, Teerã já havia colocado em pauta a possibilidade de impor taxações e regulamentações rígidas sobre os cabos submarinos de fibra óptica que atravessam a passagem marítima e sustentam grande parte das transações financeiras internacionais.
Especialistas no setor de telecomunicações apontam que, embora o Irã não tenha anunciado ataques diretos a essas conexões, o país dispõe de recursos operacionais — como mergulhadores táticos e veículos subaquáticos não tripulados — capazes de comprometer a integridade física dos cabos. Uma eventual interrupção nesse corredor digital estratégico comprometeria a comunicação entre centros de dados na Ásia e na Europa, gerando prejuízos em cadeia para os sistemas bancários e para o fluxo global de dados.