Sob liderança de Trump, EUA escalam guerra aos cartéis e preparam ofensiva terrestre na América Latina
O governo dos Estados Unidos anunciou uma mudança significativa na sua estratégia regional ao sinalizar o início de operações terrestres contra cartéis de drogas no continente. A declaração foi feita pelo secretário de Guerra norte-americano, Pete Hegseth, na quinta-feira (13), durante uma visita aos treinamentos de combate na selva no Panamá. A nova medida representa uma forte escalada na presença militar americana na região, expandindo a campanha de bombardeios aéreos iniciada no segundo semestre de 2025 contra embarcações no Caribe e no Pacífico, ofensiva que já resultou em mais de duas centenas de mortos.
Nova fase e integração de alianças regionais
A expansão das ações visa atingir diretamente as estruturas operacionais das organizações criminosas em solo, em parceria com governos aliados como os do Equador e da Colômbia. O plano de ação e o discurso adotado equiparam os narcotraficantes a grupos terroristas internacionais como o ISIS e a Al-Qaeda. O anúncio ocorreu no âmbito do exercício multinacional Panamax e reforça a atuação da Coalizão Anticartéis das Américas (ACCC), bloco idealizado pelo governo de Donald Trump que reúne 19 países de alinhamento conservador, com a Colômbia passando a sediar a aliança sob a gestão de Abelardo de la Espriella.
Doutrina de combate e questionamentos internacionais
A postura de Washington rompe com o modelo tradicional de cooperação judiciária ao priorizar a neutralização direta em vez do devido processo legal. A liderança militar americana defende que a via judicial resulta com frequência na impunidade dos suspeitos, justificando o uso de força letal irrestrita para desmantelar as redes de tráfico. Essa abordagem, que inclui pressões para que aliados regionais se retirem do Tribunal Penal Internacional, vem enfrentando duras críticas de juristas e entidades de direitos humanos, que classificam os bombardeios e a nova doutrina terrestre como execuções extrajudiciais.