Série de terremotos atingem arredores de Teerã e especialistas alertam para “tensão crítica”

Compartilhe

A cidade de Pardis, localizada no cinturão nordeste da região metropolitana de Teerã, viveu momentos de forte tensão entre a tarde de terça-feira e a madrugada de quarta-feira. Ao todo, foram registrados nove tremores consecutivos, em um intervalo que se estendeu das 17h11 às 2h27. O evento mais crítico ocorreu às 23h46, quando um abalo de magnitude 4,6 na escala Richter, originado em baixa profundidade, fez com que milhares de moradores da capital e cidades vizinhas abandonassem suas casas em busca de segurança nas ruas.

O alerta dos especialistas e o risco geológico

Para Mehdi Zare, sismólogo e professor do Instituto Internacional de Sismologia e Engenharia Sísmica, a sequência de tremores deve ser encarada como um alerta urgente para a revisão dos riscos geológicos na zona leste de Teerã. Em entrevista à agência Mehr, o especialista destacou que a região de Pardis, Damavand, Roudehen e Bumehen está situada em uma interseção perigosa de falhas geológicas ativas. Segundo Zare, a microatividade constante na região — com tremores variando entre 2 e 4 de magnitude — revela uma alta taxa de deformação na crosta terrestre local, agravada pela pressão magmática do Pico Damavand, um vulcão semi-ativo que influencia as falhas circundantes.

O fantasma do terremoto de 1830

A preocupação dos geólogos fundamenta-se no histórico destrutivo da área. O registro mais grave remete ao ano de 1830, quando um terremoto de magnitude 7,1 devastou Damavand e Shemiranat. Atualmente, a falha de Masha, que possui mais de 200 quilômetros de extensão e cruza com a falha norte de Teerã, é monitorada com atenção. Como o último grande evento ocorreu há cerca de 196 anos, os especialistas apontam que a falha atingiu um estágio crítico de acúmulo de tensão. Embora a ciência ainda não consiga prever a data exata de um novo grande abalo, o potencial para um evento superior a magnitude 7 é uma realidade geológica.

Apesar do susto e da descarga de energia detectada pelos sismógrafos, as autoridades de socorro agiram prontamente. Yazdi Mehr, porta-voz dos serviços de emergência, informou que equipes de avaliação foram enviadas para as áreas mais afetadas, mas que, até o momento, não houve registro de vítimas ou danos estruturais graves à infraestrutura. O episódio, no entanto, reforça o debate sobre o planejamento urbano na região. Especialistas defendem que a única forma de mitigar desastres futuros é o rigor absoluto nas normas de engenharia e a interrupção de novos projetos habitacionais em zonas de alta vulnerabilidade sísmica.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br