“Sem veto a ninguém”: Lula propõe união de EUA e China em terras raras, mas exige soberania

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Em evento realizado em Campinas (SP) nesta segunda-feira (18), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou a importância do controle nacional sobre as reservas de terras raras, mas ressaltou que o Brasil mantém as portas abertas para investidores internacionais. O pronunciamento ocorre duas semanas após a agenda do petista com o presidente norte-americano Donald Trump, nos Estados Unidos.

Durante o discurso, Lula defendeu a cooperação global ao sugerir que líderes como Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, superem as disputas bilaterais para se associarem ao Brasil no setor minerário. O presidente enfatizou que o país não impõe vetos ou preferências a nacionalidades, acolhendo capital de origens diversas, como chinesa, alemã, francesa, japonesa e americana, sob a condição irredutível de que a soberania brasileira seja respeitada durante os projetos de exploração.

Mudança de Tom no Cenário Internacional

A postura atual demonstra uma flexibilização em relação ao discurso adotado pelo presidente em março, durante a Cúpula de Chefes de Estado e de Governo da Celac-África, na Colômbia. Naquela ocasião, Lula havia manifestado uma posição mais rígida em defesa das reservas nacionais contra o interesse das grandes potências econômicas. Ele argumentou que nações com histórico de colonização, como o Brasil, alcançaram a independência e não deveriam retroceder à condição de meras exportadoras de matérias-primas brutas.

O valor estratégico das terras raras

O debate ganha relevância devido à importância geopolítica das terras raras, um conjunto de 17 elementos químicos essenciais para a indústria tecnológica global. Esses minerais são componentes indispensáveis na fabricação de semicondutores, baterias de alta capacidade, turbinas eólicas, eletrônicos de consumo e armamentos militares. Embora não sejam de fato escassos na crosta terrestre, o interesse econômico e estratégico sobre eles é intensificado pela alta complexidade, pelo custo elevado e pelos severos impactos ambientais envolvidos em suas etapas de extração e processamento.

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