Rússia lança quase 700 mísseis e drones contra a Ucrânia; bombardeio danifica gravemente patrimônio da Unesco e deixa mortos em Kiev
Uma nova ofensiva russa com mísseis e drones causou destruição em larga escala em Kiev e outras regiões da Ucrânia. O ataque atingiu gravemente a Catedral da Dormição, localizada no complexo monástico de Pechersk Lavra — um Patrimônio Mundial da Unesco e um dos símbolos mais importantes da cultura cristã ortodoxa. O bombardeio também afetou o estúdio nacional de cinema Oleksandr Dovzhenko, detentor do maior acervo de figurinos do país. Ao todo, nove mortes foram confirmadas em todo o território ucraniano, sendo quatro na capital, onde a população precisou buscar refúgio em abrigos subterrâneos durante a madrugada.
As Forças Armadas da Ucrânia informaram que a Rússia utilizou um arsenal expressivo de 70 mísseis e 611 drones. Os sistemas de defesa aérea ucranianos conseguiram interceptar 50 mísseis e 582 drones. O cenário em Kiev foi de forte instabilidade, com explosões registradas em pelo menos 16 pontos da cidade. Apesar dos danos severos e do incêndio que consumiu o telhado da catedral histórica, os funcionários do mosteiro tocaram os sinos ao amanhecer como um ato de resistência.
Reações políticas e apelo internacional ao G7
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, classificou a destruição da catedral como um crime gravíssimo contra a cultura cristã. A ofensiva coincide com a reunião de líderes do G7 na França, oportunidade que Zelenskyy aproveitou para cobrar uma resposta contundente da comunidade internacional, exigindo mais pressão econômica sobre Moscou e o fornecimento urgente de sistemas de defesa antibalística. O ministro das Relações Exteriores, Andrii Sybiha, confirmou que o país acionará formalmente a Unesco para denunciar a ação.
O governo da França manifestou forte repúdio ao bombardeio, comparando o impacto cultural da destruição em Pechersk Lavra a um eventual ataque contra a Catedral de Notre Dame, em Paris. Lideranças religiosas e políticas da Ucrânia também se pronunciaram publicamente nas redes sociais, classificando a ação russa como um atentado à humanidade e à história cristã. Paralelamente ao cenário de crise, Zelenskyy mencionou ter conversado recentemente com o presidente americano Donald Trump sobre possíveis caminhos para o fim do conflito.
Versões conflitantes e relatos do front
O governo russo negou a autoria dos danos ao templo religioso, alegando que a catedral teria sido atingida por um míssil de defesa aérea Patriot, fornecido pelos Estados Unidos. No entanto, autoridades de segurança ucranianas relataram ter encontrado destroços de drones de fabricação iraniana Shahed dentro do perímetro do complexo monástico, contradizendo a narrativa do Kremlin. Testemunhas e voluntários que atuam na região relataram o impacto das explosões na madrugada, que destruíram janelas e lançaram destroços por toda a vizinhança.
Além de Kiev, a cidade de Kharkiv também foi alvo de bombardeios violentos, resultando na morte de cinco pessoas em um ataque que atingiu equipes de resgate e emergência. O agravamento das hostilidades ocorre logo após o presidente russo, Vladimir Putin, alertar que Moscou iniciaria bombardeios sistemáticos, reagindo aos recentes reveses sofridos pelas tropas russas no campo de batalha. O clima de tensão fez com que a vizinha Polônia acionasse seus caças e colocasse seus sistemas de defesa aérea em prontidão máxima.
Resposta ucraniana e impacto em território russo
Como parte da estratégia de contraofensiva para desestabilizar a infraestrutura militar e econômica russa, a Ucrânia intensificou seus ataques a polos industriais e de energia. Um ataque com drones na cidade industrial de Tula, ao sul de Moscou, resultou na morte de três civis. Adicionalmente, forças ucranianas realizaram operações noturnas para danificar duas pontes que conectam a Crimeia — península anexada pela Rússia em 2014 — com o objetivo de interromper o abastecimento de combustível e agravar a crise energética na região controlada por Moscou.