Polícia Civil aciona Moraes para intimar Bolsonaro a depor sobre arma de segurança
A Polícia Civil do Distrito Federal formalizou um pedido ao Supremo Tribunal Federal para obter autorização para intimar o ex-presidente Jair Bolsonaro. O objetivo é viabilizar a participação dele, por meio de videoconferência, em uma audiência agendada para o dia 24 de junho, às 15h. O requerimento foi assinado pelo delegado Thiago Boeing Schemes da Silva, titular da 17ª Delegacia de Polícia do DF, e encaminhado diretamente ao ministro Alexandre de Moraes.
A medida foi tomada após os investigadores enfrentarem resistências para notificar o ex-presidente pessoalmente. De acordo com o documento enviado ao STF, a equipe de escolta encarregada da segurança de Bolsonaro impediu o cumprimento do ato, impossibilitando que ele tomasse conhecimento formal da convocação. Diante desse impasse com a equipe de proteção, a polícia civil local precisou recorrer à Suprema Corte para garantir a realização do depoimento.
Apreensão de pistola motivou investigação e pedido de esclarecimentos
A investigação foca nos esclarecimentos sobre a apreensão de uma pistola Glock calibre 9 milímetros, registrada em nome do ex-presidente. O armamento foi localizado escondido sob o assoalho de um veículo interceptado pela Polícia Militar do Distrito Federal durante uma fiscalização de rotina em um bloqueio no Pistão Norte, em Brasília. O automóvel era conduzido por Estácio Leite da Silva Filho, agente que atua na segurança de Bolsonaro.
Em seu depoimento inicial, o motorista confirmou a propriedade da arma e justificou que ela havia sido retirada da residência onde o ex-presidente cumpre prisão domiciliar humanitária temporária. Segundo a versão do funcionário, a pistola apresentava uma pane mecânica e o deslocamento visava apenas a realização de um conserto, com previsão de devolução para o dia seguinte. A presença do item fora do perímetro autorizado gerou o alerta nas autoridades de segurança.
Defesa e Polícia Militar prestam informações a Alexandre de Moraes
O episódio motivou uma reação imediata do ministro Alexandre de Moraes, que exigiu explicações detalhadas por parte da defesa de Bolsonaro. O magistrado cobra esclarecimentos sobre as razões para a manutenção dessa arma na residência, a real necessidade do suposto reparo técnico e se toda essa dinâmica respeita as regras restritivas impostas pelo regime de prisão domiciliar do investigado. Além disso, a Polícia Militar foi acionada para detalhar como funcionam os protocolos de revista e segurança no entorno da propriedade.
Em resposta enviada ao Supremo, a Polícia Militar do Distrito Federal detalhou que mantém uma rotina rigorosa de vistorias em todos os carros que acessam ou deixam o local, incluindo a retenção de telefones celulares de visitantes e dos próprios agentes de serviço. No entanto, a corporação ponderou que os veículos oficiais do Gabinete de Segurança Institucional não passam por essa mesma inspeção minuciosa, uma vez que permanecem estacionados na área externa do perímetro vigiado.