Rússia lança potente ataque na Ucrânia apesar de Putin afirmar que guerra está no fim

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A Ucrânia enfrentou uma nova escalada de violência nesta quarta-feira, após a Rússia lançar um ataque diurno de larga escala utilizando mais de 200 drones. A ofensiva ocorreu poucas horas depois de bombardeios em zonas residenciais terem resultado na morte de pelo menos oito civis. Monitores locais indicaram que o alvo principal da investida russa foi a infraestrutura crítica de Kiev, com parte dos artefatos sendo disparada a partir do território da Bielorrússia.

Em visita oficial à Romênia, o presidente Volodomyr Zelenskyy utilizou suas redes sociais para condenar o que chamou de ataques “descarados”. O líder ucraniano enfatizou que o Kremlin tem mirado deliberadamente a rede ferroviária e locais civis. Zelenskyy também alertou para o perigo da guerra perder espaço no noticiário internacional frente a outros conflitos globais, argumentando que o silêncio do mundo encoraja a agressividade de Moscou.

Divergências diplomáticas e o cenário nas frentes de batalha

Enquanto o conflito se intensifica no terreno, as declarações diplomáticas vindas de Washington e Moscou sugerem um otimismo que ainda não se traduz na realidade dos combates. O presidente americano Donald Trump afirmou, antes de embarcar para uma cúpula em Pequim, que o fim da guerra estaria “muito próximo”, embora não tenha apresentado detalhes ou provas que sustentem a afirmação. Esse discurso ecoa falas recentes de Vladimir Putin, que também sinalizou uma possível conclusão para a invasão iniciada em 2022.

Apesar da retórica política, a dinâmica militar mostra uma Ucrânia mais resiliente e tecnologicamente independente. O país, que antes dependia exclusivamente de doações externas, agora utiliza tecnologia própria de drones para atingir o interior da Rússia. Nesta quarta-feira, detritos de um ataque ucraniano provocaram um incêndio em uma usina de processamento de gás em Astrakhan. O Ministério da Defesa da Rússia alegou ter interceptado centenas de drones ucranianos em diversas regiões, incluindo a Crimeia e o Mar Negro.

Resistência ucraniana e instabilidade política interna

De acordo com o Instituto para o Estudo da Guerra (ISW), o avanço das tropas russas tem perdido força mês a mês. O relatório mais recente do think tank sediado em Washington aponta que a ofensiva de primavera russa fracassou, resultando em uma perda líquida de território para Moscou pela primeira vez desde 2024. O documento destaca que as linhas de defesa ucranianas estão resistindo e conseguindo retomar a iniciativa tática em setores específicos, apesar da superioridade numérica de equipamentos da Rússia.

Paralelamente aos desafios no front, o governo de Zelenskyy enfrenta turbulências internas com o avanço de investigações de corrupção. Andriy Yermak, ex-chefe do gabinete presidencial e figura central nas negociações com os Estados Unidos, compareceu a um tribunal em Kiev como suspeito em um esquema de lavagem de dinheiro. Yermak, que renunciou em novembro após uma operação em sua residência, nega as acusações relacionadas a um projeto imobiliário de luxo, classificando as alegações como infundadas enquanto aguarda os próximos passos do processo judicial.

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