Putin fala em prontidão para ação bélica contra a Europa enquanto países aceleram preparativos militares
O presidente russo, Vladimir Putin, declarou que Moscou está plenamente preparada para um possível conflito bélico com a Europa, embora tenha ressaltado que o país não deseja tal desfecho. As declarações foram feitas após uma conversa telefônica realizada na última terça-feira com os líderes da Noruega e da Finlândia.
O presidente finlandês, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Stoere, conduziram o diálogo em busca de canais de desescalada em meio ao conflito na Ucrânia. Apesar das críticas de outros líderes nórdicos — como a premiê dinamarquesa Mette Frederiksen e o chefe de governo sueco Ulf Kristersson, que apontaram quebra de protocolo e falta de aviso prévio —, Putin elogiou a iniciativa, enfatizando que ambos agiram de maneira correta. Stoere reforçou que, durante a conversa, a dupla enfatizou a importância da redução das hostilidades e reiterou o firme apoio à Ucrânia.
O limite da escalada e a segurança no Mar Báltico
Apesar de abrir espaço para o diálogo, o líder russo emitiu um aviso contundente de que, caso as tensões internacionais continuem a subir, “não haverá vencedores”. Segundo ele, qualquer oponente que deseje testar a Rússia deve se preparar, mas ponderou que os adversários ocidentais ainda não alcançaram o objetivo de infligir uma derrota estratégica a Moscou.
Putin também abordou a segurança regional, afirmando que a Rússia não tem interesse em ver o Mar Báltico transformado em uma zona de atritos comparável ao Estreito de Ormuz. Advertindo contra restrições à navegação e às comunicações na área, o presidente destacou que o país responderá firmemente a qualquer desafio que ameace a estabilidade marítima da região.
A corrida por recursos e a preparação militar na Europa
Diante do cenário de instabilidade prolongada, governos europeus aceleram medidas de prontidão e apoio financeiro a Kiev. Na Grã-Bretanha, autoridades apontam para a urgência de fortalecimento defensivo frente à ameaça de novos cenários de conflito até o final da década. O secretário de Defesa britânico, Wes Streeting, alertou recentemente que o Reino Unido precisa estar preparado para uma guerra em um horizonte de mil dias, com projeções indicando riscos potenciais de ataques de adversários até 2030 — o que levou o governo a orientar cidadãos a manterem estoques de emergência, como alimentos enlatados e água potável.
Paralelamente, no âmbito econômico, pressões se acumulam sobre a União Europeia para intensificar o suporte financeiro à Ucrânia diante de um inverno rigoroso e de incertezas políticas internacionais. A ex-ministra das Finanças do Reino Unido, Rachel Reeves, instou Bruxelas a assumir o controle de 175 bilhões de libras em ativos russos congelados, argumentando que a ação é urgente para blindar Kiev financeiramente em um momento de crescentes pressões geopolíticas.
O impacto humanitário e a fragilidade das tréguas
No terreno, o conflito continua a cobrar um alto preço humano. Na quinta-feira, um ataque com drone a jato russo atingiu trens de passageiros parados em uma estação no centro da Ucrânia, na cidade de Dnipro, resultando na morte de pelo menos 13 pessoas e deixando dezenas de feridos. O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy condenou veementemente a ação, classificando-a como um ataque horrível contra civis.
Enquanto isso, frentes pontuais demonstram a extrema fragilidade dos esforços de paz. Embora autoridades tenham registrado o respeito a uma trégua localizada em Oleshky, no sul do país, desde a última terça-feira, o conflito de grandes proporções persiste há mais de quatro anos, com um histórico de cessar-fogos anteriores que ruíram rapidamente ou não chegaram a sair do papel.