País da OTAN prepara mega cidade subterrânea para abrigar quase um milhão de pessoas contra possível guerra com a Rússia
Sob as ruas de Helsinque, estende-se uma verdadeira cidade subterrânea composta por 5.500 abrigos, com capacidade para acolher quase um milhão de pessoas. Segundo informações do jornal The Times, a Finlândia está expandindo e modernizando essas estruturas para se precaver contra uma potencial ameaça russa até 2030. No entanto, o grande diferencial do sistema finlandês está no conceito de “dupla utilização”: enquanto o cenário geopolítico permanece em paz, esses espaços são integrados ao cotidiano da população como áreas de lazer e convivência.
Atualmente, quem caminha pelos bunkers encontra uma realidade vibrante e distante da tensão de uma guerra. Os complexos abrigam desde piscinas olímpicas, pistas de kart e de skate até saunas, centros de recreação infantil e salas de ensaio para bandas de heavy metal. O maior desses abrigos fica no distrito de Merihaka, ocupando uma área de 15 mil metros quadrados escavada diretamente na rocha, a 20 metros de profundidade.
Estratégia de convivência e familiaridade
A lógica por trás do uso compartilhado vai além do aproveitamento do espaço público. De acordo com Jukka-Pekka Schroderus, integrante do Departamento de Resgate da cidade, alugar os bunkers para o comércio e o lazer garante que toda a infraestrutura física receba manutenção constante e funcione perfeitamente. Além disso, a presença de crianças no local possui um valor psicológico estratégico, pois a familiaridade com o ambiente reduz o pânico e o trauma caso uma evacuação real seja necessária no futuro.
Essa mentalidade de prevenção constante faz parte da identidade nacional. O preparo do país tem sido inabalável ao longo das décadas, com a construção de abrigos iniciada em 1939 e mantida de forma ininterrupta desde então, consolidando uma rede de proteção civil que poucas nações do mundo possuem.
Autossuficiência rígida e logística de crise
Apesar do aspecto recreativo atual, a transição para o modo de emergência revela uma logística complexa e rigorosa. Os bunkers foram projetados para operar de forma totalmente autônoma, contando com geradores próprios de eletricidade e grandes reservatórios de água. Schroderus esclarece que, uma vez lacrado o abrigo, o isolamento do mundo exterior é completo, interrompendo o fluxo de ar, água e esgoto vindos da superfície.
O regulamento para os períodos de crise também reforça que o espaço tem foco estrito na sobrevivência. Cada cidadão terá direito a 50 litros de água, mas o fornecimento de comida não está incluído no plano de abrigo. O oficial enfatiza que a estrutura não funciona como um hotel e impõe regras claras de convivência e racionamento, o que inclui proibições estritas, como a restrição à entrada de animais de estimação.