Nova rodada de pesquisa aponta cenário de voto definitivo a menos de três meses do pleito

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A mais recente pesquisa Quaest, encomendada pela Genial Investimentos e divulgada nesta quarta-feira (15), aponta um crescimento na vantagem do presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL). O atual mandatário lidera o cenário com 45% das intenções de voto, abrindo oito pontos de diferença contra os 37% registrados pelo parlamentar fluminense.

O desempenho consolida uma trajetória de recuperação para o petista nos últimos meses. Em março, ambos apareciam empatados com 41%. Nos meses seguintes, o cenário se manteve acirrado: em abril, Flávio esteve numericamente à frente (42% a 40%); em maio, o empate técnico persistiu (42% a 41%); e, em junho, Lula começou a se descolar com 44% contra 38% do senador. De acordo com o diretor da Quaest, Felipe Nunes, a oscilação positiva de dois pontos de Lula no último mês ajudou a consolidar a vantagem de oito pontos na simulação de segundo turno.

Simulações de segundo turno com outros candidatos

Lula mantém a estabilidade na liderança quando confrontado com outros potenciais adversários em cenários de segundo turno. Contra o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), o petista registra 45% das intenções de voto, enquanto o goiano aparece com 36% (frente aos 35% registrados em junho e maio). Brancos, nulos ou eleitores que afirmam que não iriam votar somam 15%, e 4% permanecem indecisos.

Em um embate contra o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o cenário é semelhante. Lula pontua 45%, enquanto Zema registra 35% das intenções de voto, apresentando uma leve oscilação em relação aos 37% que mantinha em maio. Nesse cenário, brancos e nulos representam 16%, e os indecisos somam 4%.

Impacto das desavenças na família Bolsonaro

O levantamento da Quaest é o primeiro a capturar os reflexos de episódios recentes de forte repercussão na política nacional. Um deles é a divulgação de um vídeo no qual a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro expõe divergências públicas com o enteado Flávio Bolsonaro, alegando ter sido humilhada e maltratada por ele. A pesquisa revela que o caso dividiu opiniões e chegou a metade do eleitorado: 49% sabiam do ocorrido, enquanto 51% não estavam cientes.

Entre os que tomaram conhecimento, 45% avaliaram que Michelle agiu corretamente ao expor as críticas, enquanto 38% consideraram a atitude um erro. A percepção varia conforme o perfil político: entre eleitores que se declaram de direita mas não se consideram bolsonaristas, 35% apoiaram a iniciativa de Michelle. Já entre os bolsonaristas convictos, o índice de apoio à ex-primeira-dama cai para 20%. No balanço geral, 42% dos entrevistados declararam concordar mais com Michelle, contra 18% que deram razão ao senador.

Operação policial contra o senador Jaques Wagner

Outro fato medido pela pesquisa foi a operação da Polícia Federal que mirou o senador Jaques Wagner (PT-BA), importante aliado de Lula, por suspeita de recebimento de propina para atuar em benefício do Banco Master no Congresso. Embora 54% dos entrevistados tenham declarado não saber da operação, o julgamento sobre o comportamento do parlamentar é amplamente negativo: 61% consideram que o ex-líder do governo agiu de forma errada. Além disso, 37% dos eleitores acreditam que a investigação prejudica muito a campanha de reeleição de Lula, 25% acham que afeta um pouco e 22% avaliam que o episódio não trará consequências negativas para a candidatura petista.

A pesquisa dedicou atenção especial ao segmento dos eleitores independentes — aqueles que não se alinham ao lulismo, ao bolsonarismo, à esquerda ou à direita —, grupo que representa cerca de um terço do eleitorado e é considerado decisivo. Nesse nicho, a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno é ainda maior do que na média geral, chegando a 13 pontos de diferença. O presidente subiu de 37% para 40% das intenções de voto entre os independentes de junho para julho, enquanto Flávio oscilou de 24% para 27%. O índice de abstenção nesse grupo caiu de 30% para 26%, e os indecisos somam 7%.

O senador Flávio Bolsonaro enfrenta dificuldades para reter o eleitorado conservador em simulações de segundo turno. Na parcela da direita não bolsonarista, o parlamentar vem registrando quedas sucessivas: tinha 90% das intenções de voto em abril, passou por 88% e 82% nos meses seguintes, e agora aparece com 74%. Nesse mesmo segmento, Lula atrai 8% dos votos e 15% declaram voto branco, nulo ou abstenção. Mesmo entre os eleitores que se declaram bolsonaristas, Flávio apresentou oscilação negativa, caindo de 97% em maio e junho para 91% em julho.

Esse recuo abre espaço para outras lideranças do mesmo espectro político. O governador Romeu Zema e Renan Santos (Missão) foram os que mais cresceram na preferência dos eleitores bolsonaristas em cenários de segundo turno contra Lula. Zema saltou de 63% de apoio nesse grupo em março para 85% em julho. Renan Santos registrou uma evolução ainda mais expressiva, subindo de 42% em março para 81% no levantamento atual.

Na simulação de primeiro turno, o presidente Lula lidera com folga, registrando 40% das intenções de voto. Ele é seguido por Flávio Bolsonaro, que aparece com 28%. Na sequência, pontuam Ronaldo Caiado (4%), Renan Santos (3%) e Romeu Zema (2%). Candidatos como Cabo Daciolo (Mobiliza), o escritor Augusto Cury (Avante), Joaquim Barbosa (DC) e Samara Martins (UP) aparecem com 1% cada. Edmilson Costa (PCB), Heró Bezerra (PRTB) e Hertz Dias (PSTU) não pontuaram. Votos brancos, nulos ou de eleitores que afirmam que não votarão somam 11%, enquanto 8% se declaram indecisos.

O levantamento da Quaest ouviu 2.004 eleitores presencialmente entre os dias 10 e 13 de julho. A margem de erro estimada é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-07181/2026.

Foto: AP

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