Nova onda de ataques com drones atingem Israel e Oriente Médio em meio a trégua entre EUA e Irã
Israel, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque relataram novos ataques com drones em seus respectivos territórios na segunda-feira (27). A investida ocorreu logo após a interrupção temporária dos bombardeios aéreos dos Estados Unidos contra o Irã, marcando uma aparente descompressão após quase duas semanas de confrontos diretos intensos entre Washington e Teerã.
O Ministério da Defesa saudita confirmou a interceptação de drones direcionados a instalações petrolíferas essenciais, localizadas tanto na província oriental quanto na capital, Riad. Imagens de satélite e registros em redes sociais evidenciaram danos na refinaria de Abqaiq, operada pela Saudi Aramco, além de densas colunas de fumaça na região. O governo saudita apontou milícias iraquianas apoiadas pelo Irã como autoras dos disparos e reiterou seu direito de resposta.
Paralelamente, as Forças de Defesa de Israel comunicaram a neutralização de dois drones nas proximidades do Mar Morto, na fronteira com a Jordânia, sem que houvesse invasão do espaço aéreo israelense. A origem dos equipamentos permanece sob investigação militar. No norte do Iraque, autoridades de segurança também registraram ofensivas com drones contra acampamentos de forças curdas da oposição iraniana, enquanto a Jordânia confirmou o abate de outros dois engenheiros voadores em seu território, embora sem apontar culpados diretos.
Retaliações no Iêmen e bloqueio no Mar Vermelho
Em outra frente de conflito, os houthis, aliados do Irã no Iêmen, assumiram a autoria de investidas contra rotas de transporte de petróleo em direção ao porto saudita de Yanbu, no Mar Vermelho. A ação foi justificada como retaliação a incursões de drones sauditas no espaço aéreo iemenita. O episódio intensifica a pressão econômica na região, impulsionada pelo recente anúncio de bloqueio à indústria petrolífera local por parte do grupo iemenita, ao qual Riade respondeu com ataques aéreos contra posições militares em Hodeida.
Contexto geopolítico e suspensão de operações por Washington
O cenário de instabilidade atual sucede o término de um cessar-fogo em abril e a retomada das hostilidades no mês corrente. A campanha conjunta de bombardeios iniciada em fevereiro por EUA e Israel visava desestabilizar o regime iraniano e paralisar seus programas nucleares e balísticos, gerando respostas de Teerã por meio de mísseis e do bloqueio estratégico do Estreito de Ormuz.
Após treze noites consecutivas de ataques e a morte de quatro militares americanos na Jordânia e no norte do Iraque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou a suspensão abrupta da campanha aérea no fim de semana, com o objetivo de abrir espaço para negociações diplomáticas. O governo iraniano, por sua vez, garantiu que suspenderá suas próprias ofensivas enquanto a trégua unilateral se mantiver, embora reforce o controle sobre o Estreito de Ormuz e negue veementemente qualquer intenção de solicitar a retomada de conversas de paz com os norte-americanos.