Norte e Nordeste ficam sob alerta de tempestades enquanto Sudeste tem chuva e vento forte

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O cenário meteorológico nesta quinta-feira, 28 de maio, apresenta um comportamento atmosférico bastante heterogêneo no espaço aéreo brasileiro. Enquanto uma massa de ar seco e estável assegura condições de voo visual (VMC) na maior parte das regiões Sul e Centro-Oeste, a faixa litorânea do Sudeste e o Nordeste demandam atenção devido à formação de camadas de nuvens baixas e precipitações esparsas. A Região Norte concentra as instabilidades meteorológicas mais severas do país, impulsionadas pela atividade convectiva profunda. Adicionalmente, o planejamento de voo deve considerar gradientes de pressão que geram rajadas de vento significativas em diversos setores, além de baixos índices de umidade relativa do ar no interior do continente.

Região Sul: predomínio de alta pressão e estabilidade

O avanço de um sistema de alta pressão atua como o principal fator de estabilidade atmosférica na Região Sul, garantindo céu claro ou pouca nebulosidade na maior parte do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Ocorrências de chuva fraca e isolada ficam restritas aos litorais paranaense e sul-rio-grandense, além de pontos específicos do interior gaúcho, devido ao transporte de umidade marítima em baixos níveis. O centro-sul do Rio Grande do Sul mantém teto mais baixo pela manhã com persistência de nebulosidade estratiforme. O perfil térmico indica temperaturas baixas nas primeiras horas do dia, especialmente nas áreas serranas e nos planaltos de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, com chance de geada isolada nos pontos mais elevados da Serra Catarinense. Por outro lado, as temperaturas elevam-se de forma mais acentuada nos setores oeste e noroeste do Paraná ao longo da tarde.

O afastamento de um sistema de baixa pressão em direção ao oceano, combinado com o deslocamento de uma frente fria em alto-mar, canaliza um fluxo contínuo de umidade em direção ao continente. Esse panorama resulta em teto baixo e precipitações de intensidade fraca a moderada no litoral de São Paulo e do Rio de Janeiro, estendendo-se ao norte do Espírito Santo, leste e nordeste de Minas Gerais. O norte fluminense e o sul capixaba registram acumulados de chuva mais expressivos. Nas demais áreas do Sudeste, as condições para operação visual são favoráveis, com predomínio de céu aberto. O declínio térmico é observado no centro-sul paulista, Sul de Minas e metade sul do Rio de Janeiro, enquanto o Triângulo e o extremo norte mineiro enfrentam índices críticos de umidade relativa do ar, abaixo de 30%. O vento ganha força devido ao gradiente de pressão, gerando rajadas de 40 a 50 km/h no norte de Minas Gerais e na faixa litorânea entre o Rio de Janeiro e o Espírito Santo, com picos severos de até 70 km/h na Região dos Lagos.

A circulação anticiclônica garante condições meteorológicas predominantemente estáveis sobre o Centro-Oeste, favorecendo voos sem restrições na maior parte do dia. Contudo, o aquecimento diurno associado ao fluxo de umidade em baixos níveis induz o desenvolvimento de nuvens cumulus com chance de pancadas isoladas de chuva fraca no interior e oeste de Mato Grosso e de Mato Grosso do Sul durante a tarde. As temperaturas permanecem elevadas em praticamente toda a região, com exceção do extremo sul sul-mato-grossense, onde o clima se mantém mais ameno. A atenção dos operadores aéreos deve se voltar para os baixos índices de umidade relativa do ar, inferiores a 30% na metade oeste, norte e sul de Goiás, leste de Mato Grosso e setores norte de Mato Grosso do Sul. O escoamento dos ventos provoca rajadas moderadas de 40 a 50 km/h no norte goiano e no nordeste mato-grossense.

Região Nordeste: infiltração marítima e atividade da ZCIT

A dinâmica atmosférica no Nordeste é influenciada pela infiltração marítima constante e pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) na sua porção setentrional. O transporte de umidade oceânica gera chuva fraca desde o período matutino na faixa litorânea que se estende do Rio Grande do Norte até Sergipe, incluindo o Recôncavo Baiano e o sul da Bahia. Condições meteorológicas mais adversas, com chuvas moderadas a fortes, estão previstas para o litoral leste potiguar e norte da Paraíba, além do eixo entre o litoral norte e o sul da Bahia. A ZCIT intensifica a convecção na faixa norte do Maranhão e na área de Fortaleza, elevando o risco de temporais com descargas elétricas e redução abrupta de visibilidade. No interior da região, o tempo permanece seco e quente, com a umidade caindo abaixo dos 30% no norte e oeste baiano, e no centro-sul do Maranhão e do Piauí, acompanhado de rajadas de vento generalizadas entre 40 a 50 km/h.

Região Norte: convecção profunda e risco de temporais

A Região Norte apresenta o cenário meteorológico mais instável do país, condicionado pelo elevado teor de umidade disponível e pelo posicionamento da ZCIT. Áreas de instabilidade severa desenvolvem-se desde as primeiras horas do dia, ganhando organização e intensidade à tarde. O risco de temporais com forte atividade elétrica, turbulência e pancadas de chuva torrencial é elevado em Roraima, no Amapá, na metade norte do Amazonas e na calha norte do Pará, com atenção especial para os setores noroeste do Amazonas e do Pará. Em contrapartida, as operações aéreas encontram condições mais firmes e secas no Acre, em Rondônia, no Tocantins, no centro-sul do Pará e no sudeste do Amazonas. O ambiente permanece abafado em toda a região. O estado do Tocantins e o sudeste paraense registram valores de umidade relativa inferiores a 30%, e o território tocantinense deve registrar rajadas de vento persistentes entre 40 e 50 km/h.

Nos principais terminais do país, as condições alternam de acordo com os sistemas regionais. Em São Paulo (SP), o aeródromo opera em melhoria, apresentando dissipação de névoa ou nuvens baixas matutinas e maior abertura à tarde, com máxima de 20°C. No Rio de Janeiro (RJ), a madrugada e a manhã contam com chuva fraca e teto baixo, mas o cenário melhora ao longo do dia com abertura de sol, máxima de 25°C e rajadas de vento moderadas. Em Belo Horizonte (MG), as condições são de céu limpo pela manhã com incremento de nebulosidade alta à tarde e termômetros atingindo 26°C. Na capital gaúcha, Porto Alegre (RS), o planejamento deve prever chuva fraca e isolada durante o dia e estabilização do tempo no período noturno, com máxima de 18°C. Em Curitiba (PR), predomina o céu limpo com poucas nuvens e teto alto, registrando máxima de 20°C. Já em Campo Grande (MS), o aquecimento eleva a temperatura para 29°C e induz pancadas de chuva isoladas à tarde. Por fim, Cuiabá (MT) mantém o tempo seco e firme, apesar da variação de nuvens, com temperaturas elevadas chegando aos 31°C.

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