NASA e satélites europeus revelam que 58 mil edifícios foram danificados por terremotos na Venezuela
Uma avaliação preliminar realizada com base em dados de satélite da agência espacial americana (NASA) revelou que mais de 58 mil edifícios foram danificados ou totalmente destruídos após os poderosos terremotos gêmeos que atingiram a Venezuela na semana passada. Os tremores, que registraram magnitudes de 7,2 e 7,5, já são considerados os mais fortes a assolar o país sul-americano nos últimos 126 anos. O rastro de destruição é imenso, contabilizando cerca de 1.700 mortos e milhares de pessoas que continuam desaparecidas.
Os pesquisadores Corey Scher e Jamon Van Den Hoek, da Universidade Estadual do Oregon, apontaram que aproximadamente 58.870 estruturas foram afetadas na região atingida. A análise foi fundamentada em imagens de radar de alta resolução capturadas pelo satélite Sentinel-1, da Agência Espacial Europeia, apenas um dia após os sismos. Os cientistas ressaltaram que o levantamento é uma estimativa rápida baseada em alterações abruptas da superfície terrestre, servindo como um indicador inicial que ainda necessita de validação direta em campo.
Divergência nos dados e apoio internacional
Em contrapartida aos dados de satélite, o cenário oficial apresentado pelo governo local traz números mais conservadores. O presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, comunicou publicamente que as autoridades registraram danos em 855 edifícios, dos quais 189 sofreram desabamentos completos. Diante da crise, a NASA reforçou que o monitoramento espacial contínuo tem sido fundamental para subsidiar as equipes de resgate em solo, direcionando as ações humanitárias e de reconstrução de forma mais assertiva.
A rede de solidariedade internacional também ganhou o reforço do Peru, que disponibilizou imagens geoespaciais capturadas pelo satélite PeruSAT-1 para ajudar no mapeamento das áreas afetadas, com foco principal no estado de La Guaira. O material, entregue pela Agência Espacial Peruana à Agência Bolivariana para Atividades Espaciais, compara o antes e o depois das cidades litorâneas venezuelanas. Esse suporte tecnológico, originado de um satélite de alta resolução operado desde 2016, visa otimizar a coordenação das forças de emergência enquanto os trabalhos de busca por sobreviventes avançam sem trégua.