Jaques Wagner tentou se explicar com André Mendonça antes da investida da PF

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O senador Jaques Wagner (PT-BA) procurou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, relator do caso Master, para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o ex-sócio do banco Augusto Lima e com o empresário Daniel Vorcaro. O encontro ocorreu apenas uma semana antes de o parlamentar ser alvo de buscas e apreensões em sua residência na Bahia e no hotel onde se hospeda em Brasília. A iniciativa despertou desconfiança entre os investigadores, que já articulavam a nona fase da Operação Compliance Zero, tendo o petista como principal alvo.

Justificativas e bastidores

Na audiência com o magistrado, a intenção de Wagner era assegurar que não existiam irregularidades em sua relação com os proprietários do Banco Master, tampouco nos contratos firmados por sua nora, Bonnie de Bonilha, com empresas ligadas a Vorcaro. O senador também detalhou o funcionamento do Credcesta na Bahia, um produto de crédito consignado da instituição financeira. Paralelamente às movimentações no Judiciário, um registro em vídeo da véspera da assinatura do pedido de buscas mostrou Wagner conversando reservadamente com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, durante um evento no Palácio do Planalto. Dias após as buscas operadas pela PF, o parlamentar deixou o posto de líder do governo no Senado.

Valores apreendidos e contradições

Durante as diligências nos endereços do senador, os agentes federais apreenderam 55 mil dólares e 33 mil euros em espécie, além de documentos e o aparelho celular do político. Embora Wagner tenha alegado publicamente que o montante em moeda estrangeira era proveniente de diárias acumuladas em viagens oficiais do Senado, a PF não localizou os envelopes institucionais mencionados. Além disso, os valores confiscados superam o total de diárias recebidas pelo congressista desde o ano de 2019.

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De acordo com as investigações da Polícia Federal, chanceladas pelo ministro André Mendonça, Augusto Lima funcionava como um canal direto de interlocução com o senador para defender os interesses do Banco Master. A relação de estreita confiança teria facilitado tratativas reservadas, que incluíram desde a privatização da Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) até o repasse de informações sobre propostas regulatórias e comerciais. A apuração aponta indícios de recebimentos financeiros dissimulados por meio da empresa da nora do parlamentar, uso frequente de jatos particulares de Vorcaro e a aquisição de um apartamento de alto padrão em Salvador.

Em sua defesa, o senador minimizou pontos da investigação, como o recebimento de ingressos corporativos para shows internacionais ofertados a familiares, classificando o episódio como irrelevante para o contexto das apurações. Sobre o imóvel na capital baiana, Wagner sustentou que a transação tratava-se de uma reserva comercial legítima e que os valores seriam quitados posteriormente. O parlamentar também manifestou forte descontentamento com a condução das diligências pela Polícia Federal, criticando a ampla divulgação das imagens dos bens e valores apreendidos, o que classificou como uma superexposição desnecessária da ação policial.

Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado

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