Ministro da Justiça vai à Câmara explicar caso Ramagem e crise com delegado expulso dos EUA
O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, comparece nesta quarta-feira (27) à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados. A audiência atende a um requerimento de convocação protocolado pelos deputados de oposição Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Helio Lopes (PL-RJ) e Marcel van Hattem (Novo-RS). O objetivo do colegiado é obter explicações detalhadas sobre as operações internacionais da Polícia Federal e o monitoramento de cidadãos brasileiros em território norte-americano.
O principal foco dos questionamentos é a situação do ex-deputado Alexandre Ramagem, que deixou o Brasil de forma clandestina em setembro do ano passado pela fronteira com a Guiana. À época, Ramagem era julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento na tentativa de golpe de Estado em 2022, caso que resultou em sua condenação a uma pena superior a 16 anos de prisão.
O caso Ramagem e o estopim da crise diplomática
Após a fuga, o ex-parlamentar — que chefiou a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) durante a gestão de Jair Bolsonaro — conseguiu chegar aos Estados Unidos. Em abril deste ano, Ramagem foi detido pela polícia migratória norte-americana (ICE), mas acabou liberado dois dias depois. Atualmente, ele permanece em solo americano aguardando a análise de um pedido de asilo político.
A repercussão da prisão do ex-deputado gerou um forte desgaste de bastidores, culminando na saída do delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo dos Estados Unidos, por determinação da Casa Branca. O policial atuava em Miami junto ao ICE no monitoramento de brasileiros em situação irregular. De acordo com autoridades locais, Ivo teria sido o responsável por rastrear os passos de Ramagem e articular a operação de detenção utilizando informações falsas, o que motivou a reação do governo americano.