Golpe bilionário no INSS: PF e CGU miram fraude em aposentadorias em nova operação
A Polícia Federal (PF), em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou nesta quarta-feira (27) uma nova etapa da Operação Sem Desconto. A ação visa desmantelar uma rede nacional especializada em aplicar descontos associativos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sem o consentimento dos beneficiários. Com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), os agentes cumprem 31 mandados de busca e apreensão e oito medidas cautelares de monitoramento eletrônico. As frentes de trabalho se concentram no Distrito Federal e nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba.
O foco central desta nova fase é o aprofundamento das investigações sobre crimes lesivos à administração pública. A força-tarefa apura práticas que envolvem organização criminosa, estelionato previdenciário, ocultação de bens e dilapidação patrimonial, todos decorrentes dos descontos compulsórios e não autorizados que lesaram milhares de segurados em todo o país.
Principais alvos e o desdobramento das investigações
Entre os investigados centrais desta fase estão entidades e figuras ligadas à gestão de benefícios. A Associação Amar Brasil Clube de Benefícios e seu ex-presidente, Felipe Macedo Gomes, figuram entre os alvos, ao lado de Igor Dias Delecrode, que presidiu a Associação de Amparo Social ao Aposentado e Pensionista. Outras organizações do setor também estão sob a mira da PF. Até o momento, as defesas dos citados não emitiram posicionamentos oficiais.
O esquema também contava com ramificações dentro da própria autarquia previdenciária. O técnico do INSS Everaldo Felício de Macedo é suspeito de receber propina de Antônio Camilo Antunes, apontado pelas investigações como o líder do esquema e apelidado de “Careca do INSS”. Além dele, outros ex-servidores da instituição são alvos das medidas restritivas. A defesa de Macedo também não se manifestou sobre as acusações.
Decisões do STF e mudanças na condução do caso
As ordens judiciais foram expedidas pelo ministro André Mendonça, do STF. Embora a Polícia Federal tenha solicitado a prisão preventiva de alguns envolvidos, o magistrado optou por não autorizar as detenções, limitando as sanções ao monitoramento eletrônico e buscas.
Esta fase também é marcada por uma reestruturação interna no comando do caso. O inquérito deixou a divisão especializada em repressão a crimes previdenciários e passou para a Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (CINQ/CGRC/DICOR/PF). Essa mudança resultou na substituição do delegado responsável, que no final do ano passado havia solicitado a quebra de sigilo bancário de Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República. A Polícia Federal esclareceu que Fábio Luís não é alvo das medidas executadas nesta quarta-feira.
A Operação Sem Desconto teve início em abril de 2025, motivada por uma enxurrada de denúncias sobre retenções indevidas de mensalidades associativas diretamente nas folhas de pagamento do INSS. Auditorias realizadas pelos órgãos de controle apontam que as entidades envolvidas movimentaram ilegalmente cerca de R$ 6,3 bilhões entre os anos de 2019 e 2024. No início das investigações, seis servidores públicos foram preventivamente afastados de suas funções.
Na primeira grande investida da operação, uma megaestrutura com cerca de 700 policiais federais e 80 auditores da CGU foi mobilizada. Aquela fase resultou no cumprimento de mais de 200 mandados de busca, seis prisões temporárias e no bloqueio judicial de bens que ultrapassaram a cifra de R$ 1 bilhão, consolidando o caso como um dos maiores escândalos de fraude previdenciária recentes.