Em ataque cirúrgico, Israel mata comandante da inteligência do Hamas um dos últimos mentores do 7 de outubro; vídeo
As forças de segurança de Israel realizaram um ataque estratégico na Faixa de Gaza, resultando na morte de Mohammed Odeh, o recém-nomeado chefe militar do Hamas. A operação ocorreu na noite de terça-feira no bairro de Rimal, na zona oeste da Cidade de Gaza, e acontece apenas 11 dias após a eliminação de seu antecessor, Izz al-Din al-Haddad, também morto em uma ação semelhante na região.
De acordo com informações da agência de defesa civil de Gaza, que atua sob a coordenação do Hamas, a ofensiva militar deixou pelo menos três mortos e 20 feridos. Embora a liderança oficial do Hamas não tenha emitido um pronunciamento imediato, veículos de comunicação locais alinhados ao grupo confirmaram, na manhã de quarta-feira, a morte de Odeh, relatando que sua esposa e filhos também faleceram na ação.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, e o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmaram oficialmente o sucesso da operação. As Forças de Defesa de Israel (IDF) e o serviço de inteligência Shin Bet revelaram que o alvo vinha sendo monitorado há meses. O ataque atingiu diversos edifícios utilizados por Odeh como esconderijo, além de um apartamento vizinho pertencente a outro operativo do Hamas ligado aos ataques de 7 de outubro de 2023. Os militares israelenses também divulgaram imagens que registram o momento exato do bombardeio.
O perfil e a ascensão do novo comandante
Mohammed Odeh, que tinha entre 40 e 50 anos, possuía uma longa trajetória no Hamas, tendo integrado inclusive a unidade de contraespionagem do grupo. Antes de assumir a ala militar, ele atuava como chefe de inteligência da organização e teve um papel central no planejamento do massacre de 7 de outubro, sendo responsável por mapear as bases israelenses na fronteira e identificar vulnerabilidades na Divisão de Gaza do exército.
Segundo relatos do portal saudita A-Sharq Al-Awsat, Odeh era um aliado próximo de al-Haddad e trabalhava na reestruturação do grupo após as mortes dos antigos líderes Muhammad Deif e Muhammad Sinwar. Fontes indicam que ele já havia sido sondado para liderar as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam anteriormente, mas recusou o posto na época. Odeh já tinha sido alvo de tentativas de eliminação no passado, incluindo um bombardeio em 2025 à casa de seu pai, que resultou na morte de seu filho mais velho.
Impacto estratégico e a lista de alvos de Israel
As agências de segurança israelenses classificaram a eliminação de Odeh como um golpe significativo na capacidade do Hamas de se reorganizar militarmente, destacando que ele era um dos últimos comandantes seniores sobreviventes que coordenaram o massacre de 2023. Netanyahu e Katz reforçaram o compromisso do governo em perseguir todos os envolvidos nas ações terroristas que vitimaram civis e soldados israelenses, afirmando que, mais cedo ou mais tarde, todos serão localizados.
Mesmo com um cessar-fogo em vigor na Faixa de Gaza desde outubro, Israel mantém operações cirúrgicas contra os planejadores e executores do atentado que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 reféns. Reportagens recentes revelam que o serviço de inteligência do país opera com uma lista detalhada contendo os nomes de todos os palestinos que cruzaram a fronteira em 7 de outubro, com o objetivo de capturar ou eliminar cada um deles. Além de Odeh e al-Haddad, as forças israelenses confirmaram a neutralização de outro operativo do grupo na última semana.