Pesquisa aponta que metade do eleitorado desaprova o governo Lula
A avaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue sob pressão da opinião pública. De acordo com os dados mais recentes do instituto Gerp, divulgados nesta quarta-feira, a taxa de desaprovação da gestão federal atingiu 50%. O índice representa uma oscilação mínima de apenas um ponto percentual em relação ao levantamento anterior, realizado há pouco mais de uma semana, indicando estabilidade na rejeição ao Palácio do Planalto.
Em contrapartida, a aprovação à administração do petista figura em 43%. A margem demonstra a dificuldade contínua do governo em expandir sua base de apoio e reverter a percepção negativa do eleitorado, que tem mostrado desgaste no comparativo com os indicadores registrados no mesmo período do ano anterior.
Raio-X da percepção popular e cortes demográficos
No detalhamento sobre o desempenho da gestão, os eleitores que classificam o terceiro mandato de Lula como “péssimo” somam 33%, enquanto 23% o consideram “regular”. Já os entrevistados que avaliam o governo como “bom” representam 18%, seguidos por 16% que o definem como “ótimo” e 8% que o veem como “ruim”. Um grupo residual de 1% não soube responder.
A rejeição ao presidente é marcada por recortes específicos na sociedade. A reprovação atinge seus maiores patamares entre os moradores da Região Sul, com 58%, e da Região Sudeste, com 52%. O descontentamento também é expressivo entre os eleitores com renda superior a cinco salários mínimos (65%), brasileiros com ensino superior completo (57%) e o público evangélico (64%).
Segurança pública e economia lideram reclamações
Entre os principais gargalos apontados pela população, a violência e a sensação de insegurança lideram com folga as preocupações, sendo citadas por 54% dos entrevistados. A questão da segurança é sentida com maior intensidade na Região Nordeste, onde 58% dos moradores demonstram apreensão diante do avanço das facções criminosas. Logo em seguida no ranking de problemas nacionais figuram a corrupção (31%), a escassez de médicos e profissionais de saúde (19%), o peso dos impostos (15%) e o custo de vida elevado (15%).
A indignação com a corrupção é mais acentuada entre os residentes do Sul (44%) e do Norte (42%). Já a carga tributária excessiva recebe as maiores críticas por parte dos sulistas (25%) e da população do Centro-Oeste (18%).
Tendência de desgaste e o impacto do cotidiano
O panorama atual reflete uma mudança gradual observada ao longo dos últimos anos. No início do mandato, em 2023, a aprovação superava a desaprovação. Contudo, a partir do segundo semestre de 2024, os institutos de pesquisa começaram a registrar um crescimento consistente da rejeição, culminando na inversão definitiva da curva de avaliação ao longo de 2025.
Esse movimento de desgaste está diretamente associado à percepção sobre o aumento do custo de vida — com destaque para o preço dos alimentos — e à sensação de omissão no combate à criminalidade, impulsionada pela alta na frequência de assaltos e roubos de celulares. O cenário indica que a percepção do cidadão sobre sua situação financeira pessoal e a segurança do dia a dia têm pesado mais no julgamento do governo do que dados macroeconômicos positivos, como o crescimento do PIB e a redução do desemprego.
A pesquisa Gerp ouviu 2.000 pessoas entre os dias 15 e 17 de julho em todas as cinco regiões do país. A margem de erro do levantamento é de 2,19 pontos percentuais para mais ou para menos, com um nível de confiança de 95%. O estudo foi devidamente registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-05026/2026.