Sob clima de tensão no STF, Flávio Bolsonaro comanda manifestação na Avenida Paulista neste feriado
Os principais nomes da direita na corrida presidencial — Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) — dividem seus palanques neste feriado de 7 de Setembro em São Paulo com um alvo em comum: o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal (STF). A divisão do campo conservador em três atos distintos reflete as diferentes estratégias das campanhas para mobilizar a base de eleitores nas ruas da capital paulista.
A articulação bolsonarista na Avenida Paulista
A campanha de Flávio Bolsonaro concentrou esforços na tradicional manifestação da avenida Paulista, marcada para as 15h, sob o mote “Fora Lula e fora Moraes”. O ato deve contar com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de figuras de proa do bolsonarismo, como os candidatos ao Senado Guilherme Derrite (PL-SP) e Michelle Bolsonaro (PL-DF), além do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). Embora a articulação digital comandada pelo pastor Silas Malafaia mantenha o tom de confronto contra a Suprema Corte nas redes, a presença exata de Michelle permanece indefinida, uma vez que a ex-primeira-dama aguarda definições judiciais sobre restrições familiares impostas a Jair Bolsonaro.
Zema e Renan Santos apostam em atos paralelos
Fora do bloco bolsonarista tradicional, Romeu Zema optou por realizar uma caminhada isolada na própria avenida Paulista, às 9h20, canalizando o discurso de indignação contra o que classifica como excessos dos magistrados em Brasília. No mesmo horário, às 11h, o candidato do Missão, Renan Santos, lidera um protesto no Obelisco do Ibirapuera, na zona sul. Renan adota uma postura de confronto institucional ainda mais explícita, tendo declarado publicamente que desrespeitaria ordens judiciais que julgasse ilegais caso chegue ao Palácio do Planalto.
A crise institucional e o desgaste no STF
O tom inflamado dos discursos ganha tração em meio ao acirramento da crise interna no tribunal, deflagrada após a revelação de um relatório público pelo ministro André Mendonça. O documento expôs conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes sobre riscos de prisão antes de operações da Polícia Federal, gerando forte repercussão política. Enquanto alas bolsonaristas passaram a tratar Mendonça como herói e intensificaram os ataques a Moraes, o ministro revidou juridicamente ao solicitar ao próprio Supremo a investigação do colega de corte por suposto abuso de autoridade e vazamento de dados sigilosos.