Mendonça envia à PGR pedido para investigar financiamento de filme sobre Bolsonaro

Compartilhe

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou nesta terça-feira (30) à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação sobre o financiamento do filme “Dark Horse”, obra que pretende contar a história do ex-presidente Jair Bolsonaro. Com o despacho, o magistrado solicita formalmente que o órgão ministerial se manifeste sobre a viabilidade de abertura de uma apuração oficial sobre o caso.

O pedido tem como origem uma notícia-crime apresentada no dia 18 de maio pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ). Na petição inicial, o parlamentar pedia a aplicação de medidas contra o ex-deputado Eduardo Bolsonaro por suposta coação no curso do processo. O congressista governista acionou a Suprema Corte para que seja apurada uma possível conexão entre o dinheiro que financia o filme, as negociações financeiras entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e a forte atuação internacional de Eduardo na campanha que pede sanções a autoridades brasileiras.

Suspeitas e pedidos de restrição contra parlamentares

Lindbergh justificou a inclusão do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho Flávio na petição apontando indícios de que o senador teria participado diretamente da captação, intermediação ou destinação de valores vinculados à produção cinematográfica, enquanto o capitão da reserva figuraria como o principal beneficiário dos fatos investigados.

Diante disso, o deputado requereu ao STF a imposição de medidas cautelares severas contra Flávio Bolsonaro. Entre os pedidos estão a entrega compulsória do passaporte, a proibição de deixar o Brasil sem autorização judicial prévia e o veto a qualquer contato com o dono do Banco Master. A petição também deita luz sobre a necessidade de bloqueio de bens e ativos financeiros do senador e de outras pessoas diretamente vinculadas à operação financeira de “Dark Horse”.

Cruzamento de dados e cooperação internacional

Na mesma peça jurídica, o autor do pedido solicita o compartilhamento de informações coletadas no inquérito de coação contra Eduardo com as investigações que já envolvem o Banco Master. O objetivo é cruzar dados de eventuais operadores financeiros, produtoras, empresas de fachada, contratos, mensagens e relatórios de inteligência financeira. Para viabilizar esse mapeamento, o congressista pede que a Polícia Federal elabore um relatório técnico correlacionando as provas recolhidas na operação contra a instituição financeira de Daniel Vorcaro e o processo do terceiro filho de Bolsonaro.

Para fechar o cerco às movimentações financeiras, a petição demanda a expedição de ofícios a órgãos reguladores e de fiscalização, como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central, a Receita Federal, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e a própria Polícia Federal. A intenção é identificar com precisão o fluxo de dinheiro entre Vorcaro, Flávio e as pessoas jurídicas ligadas ao projeto do filme.

Além do monitoramento doméstico, Lindbergh Farias sugere uma avaliação de cooperação jurídica internacional com os Estados Unidos para rastrear registros fiscais, migratórios, societários e de lobby em solo americano, buscando esclarecer se houve pagamentos no exterior. Toda a ofensiva jurídica mira a apuração de possíveis crimes de lavagem de dinheiro, financiamento eleitoral irregular, caixa dois, organização criminosa e atentado à soberania nacional.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br