“Baixa essa bola” e “decoreba”: debate de SP ferve com duelo direto Entre Tarcísio e Haddad
O primeiro debate do primeiro turno entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) para o governo de São Paulo ocorreu na Band, caracterizado por uma atmosfera de segundo turno dada a ausência de outros concorrentes no estúdio. A discussão fundamentou-se no confronto de dados e no combate ideológico sobre os desempenhos das gestões estadual e federal, além de pautas como o crime organizado e tarifas internacionais.
A dinâmica envolveu a disputa pelo uso da imagem de apoiadores nacionais. Enquanto Haddad procurou vincular o atual governador ao ex-presidente Jair Bolsonaro com o objetivo de nacionalizar a eleição, Tarcísio inicialmente evitou o tom, mas passou a defender o alinhamento com seu grupo político nos blocos seguintes. A mediação reservou tempo igualitário aos candidatos para administração individual e blocos com intervenções de jornalistas e embates diretos, sem a necessidade de concessão de direitos de resposta por ofensas morais.
Disputa sobre os índices da educação
A qualidade do ensino público foi central no início das discussões, impulsionada por questionamentos sobre o desempenho de São Paulo no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em relação a outros estados e parâmetros internacionais.
- Críticas da oposição: Haddad classificou o cenário educacional paulista como grave, sustentando que o estado perdeu posições no ranking do ensino médio para unidades federativas como Piauí, Ceará e Pernambuco. O candidato do PT também criticou os níveis de alfabetização infantil, a substituição de livros impressos por plataformas digitais e defendeu maior suporte infraestrutural e valorização docente.
- Defesa da gestão: Tarcísio de Freitas argumentou que a avaliação oficial deve incluir os dados do ensino profissionalizante, segmento no qual o estado expandiu a dupla formação de 12% para 42% dos alunos. O governador destacou avanços na alfabetização na idade certa, o aumento de matrículas em tempo integral, programas de tutoria e metas para inclusão de inteligência artificial e programas de formação continuada.
O combate ao crime organizado e a violência de gênero mobilizaram momentos de forte tensão argumentativa no encontro.
Ações na capital e violência contra a mulher
Tarcísio destacou operações conjuntas na região central da capital paulista e na Cracolândia, citando a oferta de leitos de desintoxicação, acolhimento em casas terapêuticas e ações de inteligência. Em relação às políticas voltadas às mulheres, citou a estrutura das Delegacias da Mulher (DDM 24 horas), o protocolo “Não Se Cale” e argumentou que os índices de feminicídio no estado permaneceram abaixo da média nacional.
Haddad contestou as estatísticas estaduais sobre segurança utilizando dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontando crescimento nos casos de feminicídio e crimes raciais, além de criticar a incidência de roubos de celulares na capital. As discussões escalaram quando Tarcísio fez referência a uma foto do adversário ao lado de uma mulher apontada como integrante do tráfico de drogas, ao que Haddad rebateu de forma enérgica, cobrando respeito e propondo a criação de um gabinete integrado de segurança com foco na desarticulação financeira das facções.
Infraestrutura, agronegócio e economia
A relação entre os orçamentos estadual e federal pautou as discussões sobre obras públicas e capacidade de investimento.
- Túnel Santos-Guarujá e financiamento: Os candidatos disputaram a autoria das soluções para a obra. Tarcísio destacou que o estado arca com a maior fatia da contrapartida financeira do projeto, enquanto Haddad ressaltou o papel de linhas de crédito do BNDES e repasses federais para a viabilização de infraestrutura em São Paulo.
- Tarifas externas e agronegócio: Para mitigar impactos de tarifas internacionais sobre a indústria paulista, o governo estadual defendeu a liberação de créditos de ICMS e linhas de financiamento. Já Haddad defendeu planos nacionais de incentivo e criticou a não adesão paulista à renegociação de dívidas com a União. No agronegócio, os discursos dividiram-se entre a manutenção do Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista (Feap) e a recuperação de institutos de pesquisa e seguros agrícolas.
O bloco final concentrou embates sobre o programa de desestatização do estado e as conclusões dos candidatos.
- Privatizações: Haddad criticou a concessão de serviços como a Sabesp e linhas de transporte, citando falhas operacionais recentes, e classificou a postura do adversário como excessivamente técnica e presa a números memorizados. Tarcísio defendeu o modelo citando recordes de investimentos em saneamento, saúde e obras viárias.
- Considerações Finais: Tarcísio encerrou sua participação pedindo a continuidade do mandato para expandir investimentos em mobilidade sobre trilhos, tecnologia e saúde. Haddad finalizou criticando promessas não cumpridas, defendeu o legado de sua passagem pela prefeitura paulistana e fez críticas à atual administração da capital.