Mendonça converte em preventiva prisão de Felipe Vorcaro, primo do dono do Banco Master
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a conversão da prisão do empresário Felipe Cançado Vorcaro de temporária para preventiva. Alvo da Operação Compliance Zero, que investiga crimes de corrupção e lavagem de dinheiro relacionados ao Banco Master, o empresário havia sido detido inicialmente no dia 7 de maio. A decisão do magistrado atendeu a um pedido dos investigadores, após ele próprio já ter prorrogado a prisão temporária por mais cinco dias na semana anterior. Felipe é primo do banqueiro Daniel Bueno Vorcaro, proprietário da instituição financeira sob suspeita.
Papel central no esquema financeiro e operacional
As investigações da Polícia Federal (PF) apontam o empresário como uma peça-chave no núcleo financeiro e operacional da organização. Segundo os relatórios, ele era o responsável por executar movimentações de capitais, estruturar complexas operações societárias e viabilizar os repasses de recursos para o grupo. O inquérito destaca que Felipe Vorcaro utilizava empresas formalmente ligadas ao conglomerado, a exemplo da Green Investimentos S.A. e da BRGD S.A., para operacionalizar o esquema.
Fuga suspeita em carrinho de golfe e indícios de vazamento
A necessidade da manutenção da prisão ganhou força com os detalhes colhidos pela PF durante a segunda fase da operação, realizada em janeiro deste ano. Ao cumprirem um mandado de busca e apreensão em uma residência de alto padrão no condomínio Terravista, localizado em Trancoso, na Bahia, os agentes constataram que o empresário havia deixado o local poucos minutos antes da abordagem.
Imagens do circuito de segurança do condomínio revelaram que Felipe consultou o aparelho celular repetidas vezes antes de abandonar o imóvel às pressas. Na fuga, ele utilizou um carrinho de golfe, transporte comum dentro do residencial de luxo. A pressa da evasão ficou evidente quando os policiais entraram na casa: o empresário levou apenas seus equipamentos eletrônicos, deixando para trás pertences pessoais de valor e até mesmo os aparelhos de ar-condicionado ligados. Para a equipe de investigação, a dinâmica dos fatos reforça os indícios de que o investigado recebeu um alerta prévio sobre a iminência da ação policial.