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Massa de ar quente histórica sufoca a Europa: onda de calor deixa mortos e fecha escolas

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A forte onda de calor extremo que atinge a Europa Ocidental continua a deixar um rastro de tragédias e acendeu o alerta máximo das autoridades. No sudeste da França, duas crianças, de apenas dois e quatro anos de idade, foram encontradas mortas no interior do carro da família. A promotora da cidade de Carpentras, Hélène Mourges, informou que as causas dos óbitos ainda estão sendo apuradas, mas confirmou que a principal linha de investigação aponta diretamente para os efeitos do calor sufocante, já que as temperaturas na região ultrapassaram a marca dos 39°C.

O drama em território francês se estende a outras regiões e ganha contornos ainda mais graves com a divulgação de novos balanços oficiais. No último fim de semana, três idosos com idades entre 80 e 95 anos faleceram nos arredores de Bordéus devido a complicações de saúde severamente agravadas pelo clima hostil. Paralelamente ao impacto direto das altas temperaturas no organismo, a busca desesperada por alívio térmico tem gerado um aumento alarmante nos acidentes aquáticos, transformando rios e canais em cenários de risco.

O governo francês anunciou nesta terça-feira (23) que a onda de calor já provocou 40 mortes por afogamento desde o dia 18 de junho, vitimando principalmente jovens. Os dados alarmantes foram apresentados pelo primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, durante uma reunião de emergência convocada para traçar ações de enfrentamento à crise climática. O cenário é inédito: nesta mesma terça-feira, a França registrou a madrugada mais quente de toda a sua história climatológica, com os termômetros insistindo em circular acima dos 25°C mesmo durante a noite.

Diante da gravidade da situação, a ministra dos Esportes, Marina Ferrari, fez um apelo público à população. Ela destacou que muitos cidadãos têm recorrido a saltos improvisados em canais e rios na tentativa de se refrescarem, uma prática altamente perigosa devido às correntes e à falta de monitoramento. A ministra alertou enfaticamente para que as pessoas evitem nadar em áreas não autorizadas ou sem a supervisão de salva-vidas, reforçando a necessidade de prudência enquanto o país enfrenta marcas térmicas históricas.

Alerta máximo e paralisação de serviços na França

Diante do cenário crítico, o governo francês colocou metade do território continental em alerta vermelho de nível 1, o que representa perigo de vida iminente. Cerca de 35 milhões de cidadãos foram orientados a manter vigilância absoluta, evitar esforços físicos e não se exporem diretamente ao sol. O órgão de meteorologia nacional, Météo-France, indicou que a massa de ar quente deve se fixar no país por um longo período, expandindo o nível máximo de alerta para novas regiões e mantendo dezenas de outros departamentos em alerta laranja.

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O calor extremo também alterou o funcionamento de serviços essenciais e da infraestrutura do país. Mais de mil escolas fecharam as portas e milhares reprogramaram os horários das aulas para liberar os estudantes mais cedo. No setor de transportes, um em cada dez trens regionais na região de Paris foi cancelado para prevenir falhas nos trilhos e nas composições provocadas pelo superaquecimento. Até as celebrações da tradicional Fête de la Musique sofreram restrições severas ou cancelamentos por parte de prefeituras locais.

De acordo com o serviço meteorológico, os termômetros devem continuar subindo, com projeções de até 43°C em Bordéus e marcas próximas aos 40°C em capitais e distritos como Paris, Toulouse e Tours. Outro fator alarmante são as temperaturas noturnas, que já quebraram recordes históricos ao permanecerem na casa dos 25°C em várias cidades. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, alertou que o corpo humano sofre com o acúmulo contínuo das altas temperaturas e fez um apelo para que a população monitore vizinhos idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade.

Impactos na Península Ibérica e no resto do continente

A Espanha também declarou sua primeira onda de calor oficial do ano, com termômetros que podem atingir os 44°C em zonas isoladas. O serviço estatal de meteorologia, Aemet, emitiu alertas vermelhos para o norte do país, destacando que as temperaturas atuais estão entre 5°C e 10°C acima da média histórica para o mês de junho. O calor extremo levou ao cancelamento de eventos públicos, incluindo a transmissão ao vivo de uma partida da Copa do Mundo em Madri.

O panorama de anomalias climáticas se repete em outras nações europeias. Na Alemanha, fortes tempestades associadas ao calor de 30°C forçaram a evacuação e suspensão da final do torneio de tênis Berlin Open. Na Bélgica, onde as máximas também superaram os 30°C, trens foram retirados de circulação no horário de pico para mitigar os riscos de panes no sistema ferroviário.

Mais ao norte, o Reino Unido emitiu um alerta de calor extremo para o sul da Inglaterra e do País de Gales, prevendo temperaturas de até 39°C, marca bem superior ao recorde anterior de junho estabelecido na década de 1970. Enquanto isso, a Itália decretou alerta vermelho em 12 grandes centros urbanos, incluindo Roma, Milão, Turim, Veneza, Bolonha e Florença. Cientistas reforçam que, em decorrência do aquecimento global, esses fenômenos climáticos severos estão se tornando cada vez mais frequentes, intensos, duradouros e precoces.

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