“Mais um amigo do Lula”: Nikolas questiona Messias e lança ofensiva contra senadores
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) deflagrou, nesta quarta-feira (29/4), uma intensa mobilização nas redes sociais para barrar a chegada de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF). A ofensiva foca na pressão direta sobre os senadores, que possuem a palavra final sobre a nomeação. Com publicações estratégicas e vídeos de convocação, o parlamentar mineiro busca constranger congressistas às vésperas da votação, utilizando o bordão “Votou Messias, perdeu eleição” como principal ferramenta de dissuasão eleitoral.
Em seus canais oficiais, Nikolas questiona duramente a imparcialidade da escolha feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado resgatou promessas de campanha do petista — que na época defendia o distanciamento entre o Executivo e os ministros da Corte — para classificar a indicação como puramente política. Segundo o parlamentar, a proximidade pessoal entre Lula e Messias comprometeria a independência necessária ao cargo de magistrado no tribunal mais alto do país.
Críticas à atuação na AGU e monitoramento de votos
O foco das críticas de Nikolas também recai sobre a gestão de Jorge Messias à frente da Advocacia-Geral da União (AGU). O deputado elenca pontos sensíveis à ala conservadora, como o posicionamento do indicado em relação à liberdade de expressão, pautas sobre o aborto e o tratamento jurídico dado aos episódios de 8 de janeiro. Para o parlamentar, o histórico de Messias sinaliza uma atuação ideológica que, em sua visão, seria prejudicial ao equilíbrio democrático.
A estratégia de pressão inclui o monitoramento público do posicionamento de cada senador. Nikolas Ferreira incentivou seus seguidores a cobrarem declarações de voto abertas, argumentando que a sociedade brasileira deve estar atenta ao comportamento dos seus representantes. Ele chegou a divulgar listas dos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), incluindo o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), prometendo expor como cada um se posicionou após a deliberação no colegiado.
O rito de aprovação e o desafio no Senado
A mobilização ocorre em um momento decisivo, coincidindo com a sabatina de Messias na CCJ. Para que a indicação avance, o nome precisa conquistar a maioria simples dos votos entre os presentes na comissão. Se aprovado, o processo segue para o plenário do Senado Federal, onde o indicado enfrentará uma votação secreta que exige o apoio de, pelo menos, 41 parlamentares para a confirmação definitiva da vaga.
A análise do Senado é a etapa final e constitucionalmente obrigatória para qualquer indicação ao STF. Durante este processo, cabe aos senadores verificar se o candidato preenche os requisitos fundamentais: idade superior a 35 anos, reputação ilibada e o chamado “notável saber jurídico”. Apesar da tentativa de Nikolas de tornar o processo transparente por meio da pressão digital, a lei garante o sigilo do voto dos senadores durante as sessões de escolha.