Lula eleva o tom e chama filhos de Bolsonaro de “vendilhões da pátria” após ameaça de tarifa dos EUA
Durante um discurso realizado em Catalão, Goiás, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva direcionou duras críticas à família do ex-presidente Jair Bolsonaro. O chefe do Executivo brasileiro responsabilizou diretamente a atuação dos filhos de Bolsonaro pela proposta dos Estados Unidos de aplicar uma sobretaxa de 25% sobre os produtos importados do Brasil. Lula classificou as atitudes dos parlamentares como traição à pátria, argumentando que eles atuaram junto a autoridades estrangeiras para incentivar uma interferência direta nas decisões econômicas e políticas internas do país.
O presidente enfatizou que as sanções econômicas propostas pelo governo norte-americano são um reflexo de posturas adotadas por Flávio e Eduardo Bolsonaro. O petista relembrou publicações antigas e movimentações que, segundo ele, demonstram apoio das lideranças de oposição às sanções americanas de anos anteriores. Ele também mencionou a recente viagem de Flávio Bolsonaro a Washington e questionou as relações do senador com setores financeiros, especificamente citando contatos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, em busca de financiamentos privados. Como contraponto à pressão comercial dos Estados Unidos, Lula celebrou a recente abertura do mercado de carne da China, que reconheceu o Brasil como território livre de febre aftosa.
A proposta de tarifação dos Estados Unidos
A reação do governo federal ocorre após o Escritório de Comércio dos Estados Unidos apresentar uma conclusão preliminar baseada na Seção 301 de sua legislação comercial. A investigação americana aponta que o Brasil adota práticas que prejudicam o comércio bilateral, mencionando fatores que vão desde o sistema de pagamentos PIX até questões ligadas ao desmatamento ilegal, pirataria e enforcement de leis anticorrupção. Se implementada, a medida resultará em uma alíquota de 25% sobre diversas mercadorias brasileiras.
Apesar da rigidez da proposta, o documento norte-americano prevê uma lista de exceções para produtos considerados essenciais para o mercado interno dos Estados Unidos, o que protege provisoriamente setores como o de carnes, frutas, café, aeronaves e terras raras. A aplicação das taxas não é imediata, uma vez que o processo legal americano exige a finalização dos relatórios formais e a realização de consultas públicas antes que as sanções passem a vigorar de forma definitiva.
Nota oficial do governo brasileiro
O Governo brasileiro manifesta indignação com a conclusão preliminar anunciada ontem (1/6) pelo USTR relativa à investigação da Seção 301 contra alegadas práticas comerciais desleais do Brasil.
Essa investigação teve início em 15 de julho de 2025 por provocação da família Bolsonaro e está associada à tentativa de ingerência em temas internos do nosso país, como feito na recente viagem do senador Flávio Bolsonaro a Washington. Essas investidas têm contado com o auxílio de falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais.
É lastimável que todo o trabalho de diálogo e articulação que o Governo brasileiro tem feito, inclusive com envolvimento pessoal dos Presidentes Lula e Trump, seja sabotado por interesses meramente eleitorais e familiares.
Não havia e não há justificativa para essas medidas unilaterais contra o nosso país ou contra patrimônios brasileiros como o PIX, mencionado explicitamente nas recomendações preliminares. Segundo estatísticas do “Bureau of Economic Analysis”, os EUA acumularam US$ 424,5 bilhões em superávit de bens e serviços com o Brasil nos últimos 15 anos (2011-2025). Só no ano passado, o superávit comercial de bens dos EUA com o Brasil totalizou US$ 14,46 bilhões. Considerando bens e serviços a cifra sobe a US$ 40,52 bilhões.
Em 2025, 76% das importações originárias dos Estados Unidos entraram no Brasil sem pagar imposto de importação. Oito dos dez principais produtos importados dos Estados Unidos pelo Brasil tiveram tarifa efetiva zero, incluindo petróleo e derivados, aeronaves, gás natural e carvão. A alíquota média efetivamente cobrada dos produtos norte-americanos no Brasil foi de apenas 3,1%.
O principal efeito das tarifas unilaterais, politicamente motivadas, aplicadas ao nosso país tem sido impor danos à economia nacional e à geração de emprego e renda, além de diminuir o papel dos EUA como nosso parceiro comercial. No primeiro trimestre de 2026, a participação dos EUA nas exportações brasileiras atingiu o menor valor da série histórica ao somar 9,4%.
Conforme acordado pelos Presidentes Lula e Trump por ocasião da reunião em Washington no dia 7 de maio, estão em curso negociações tarifárias entre os dois países em busca de soluções que resultem no encerramento da investigação da Seção 301, previsto para 15 de julho, sem imposição de medidas contra o Brasil. O Governo brasileiro também dará continuidade ao diálogo com o setor privado com esse objetivo.
O Brasil se reserva o direito de recorrer aos instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, para fazer face a situações de injustiça contra o Estado brasileiro, sem amparo nas regras do comércio internacional.
O Governo reafirma a expectativa de que as recomendações não se convertam em tarifas efetivas, mas reitera que adotará toda e qualquer medida capaz de reduzir os danos que venham a ser causados à economia, aos empregos e à renda dos brasileiros.
É preciso estar atento aos traidores da pátria e trabalhar em defesa da nossa soberania e dos interesses do povo brasileiro.