Jornal americano vê perseguição política em medidas da Justiça contra Flávio e faz alerta sobre risco de autocracia no Brasil
O jornal norte-americano The Wall Street Journal classificou as recentes decisões contra o senador Flávio Bolsonaro como atos de vingança política após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em editorial publicado pelo seu conselho de opinião sob o título “Ao vencedor do Brasil, a vingança política”, o periódico colocou em xeque a imparcialidade do Judiciário brasileiro e defendeu que os Estados Unidos prestem proteção ao parlamentar e à sua família diante do risco de julgamentos motivados por perseguição partidária. A publicação ressaltou, inclusive, a celeridade com que a apreensão dos passaportes do senador foi determinada logo após o resultado das urnas.
Ao analisar o cenário institucional, o veículo acusou a Justiça de utilizar o sistema legal para retaliar opositores derrotados e direcionou duras críticas à atuação do ministro Alexandre de Moraes. Segundo a publicação, o magistrado estaria ampliando sua jurisdição de acordo com conveniências políticas, atropelando a prerrogativa do Procurador-Geral da República, a quem cabe a avaliação sobre denúncias criminais contra políticos com foro privilegiado.
Questionamentos sobre a condenação de Jair Bolsonaro
Para embasá-lo sobre a falta de isenção nas instâncias superiores, o texto recupera a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, classificando o placar do julgamento como tendencioso. O jornal chama a atenção para a composição da Corte e para a participação de ministros com histórico de proximidade com o atual chefe do Executivo, citando especificamente a atuação do ministro Cristiano Zanin, ex-advogado pessoal de Lula, e de Flávio Dino, que chefiou o Ministério da Justiça no atual governo antes de assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal.
Alerta sobre o equilíbrio dos Poderes e o risco de autocracia
Na etapa final da análise, o Wall Street Journal projeta os impactos das próximas indicações para o STF, ressaltando que o presidente poderá nomear até quatro novos ministros ao longo do mandato. Diante da perspectiva de alteração expressiva na composição da Corte, a publicação atribui ao novo Senado Federal a responsabilidade de agir como um contraponto crítico para conter a concentração de autoridade e preservar a independência das instituições.
O editorial encerra com um alerta severo sobre o enfraquecimento democrático no país. O conselho do jornal descreve um processo em que governantes eleitos democraticamente assumem gradualmente o controle do Poder Judiciário e passam a utilizar o aparato estatal para neutralizar seus adversários políticos. Na visão do veículo, a capacidade de resistência do Estado de Direito e das instituições brasileiras perante esse cenário permanece sob forte incerteza.