Israel ataca 80 alvos do Hezbollah e mata dezenas de terroristas após morte de militares; Netanyahu promete “preço muito alto”
As Forças de Defesa de Israel (IDF) lançaram uma forte ofensiva aérea na madrugada desta sexta-feira, atingindo mais de 80 alvos do Hezbollah em todo o Líbano. Segundo o comando militar israelense, a operação foi uma resposta direta às repetidas violações do acordo de cessar-fogo por parte do grupo xiita.
Os bombardeios se concentraram no Vale do Bekaa, onde dois centros de comando foram atingidos, e na região de Nabatiya, no sul do país — tanto dentro quanto fora da Zona de Segurança. Nessa área meridional, os ataques deixaram ao menos 18 mortos. No total, a ofensiva resultou na morte de dezenas de membros do grupo extremista, além da destruição de bases de lançamento e infraestruturas operacionais.
A retaliação de Tel Aviv ocorreu poucas horas após um ataque que resultou na morte de quatro soldados israelenses. Durante as operações em solo no sul do Líbano, militares da IDF também foram alvo de foguetes. Em resposta imediata, as forças israelenses identificaram e eliminaram dois suspeitos que fugiam do local do disparo em uma motocicleta, destruindo na sequência a plataforma de lançamento utilizada contra as tropas.
Pressão política e promessa de permanência na zona de segurança
O cenário de perdas militares gerou reações imediatas e agressivas no espectro político israelense. Avigdor Liberman, líder do partido Yisrael Beiteinu, criticou duramente o governo e exigiu a destruição do subúrbio de Dahiyeh, em Beirute, afirmando que a sobrevivência do reduto do Hezbollah representa uma falha do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e do ministro da Defesa, Israel Katz. Na mesma linha, o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, adotou um tom ainda mais beligerante, declarando que “todo o Líbano deve queimar” e defendendo que a segurança do país deve se sobrepor a qualquer pressão internacional.
Diante do clamor político, o ministro da Defesa, Israel Katz, prestou condolências às famílias dos soldados mortos e confirmou que o exército manterá sua presença na faixa de segurança do sul do Líbano, estendendo-se do litoral até as alturas de Beaufort. Katz reforçou que qualquer quebra de acordo será respondida com força máxima para garantir a segurança das comunidades do norte de Israel e desmantelar estruturas subterrâneas e de superfície do Hezbollah.
Confirmando a diretriz, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou oficialmente que as tropas israelenses permanecerão ocupando o sul do Líbano pelo tempo que for necessário. O premiê enfatizou que sua ordem é clara e que o país não tolerará agressões ao seu território, reiterando o objetivo de estabelecer uma zona de exclusão segura na fronteira.
Críticas de Washington e Impacto na população civil
A nova incursão militar ocorre em um momento de alta tensão diplomática com os Estados Unidos, que recentemente assinaram um memorando de entendimento com o Irã em busca de um plano de paz regional. A ofensiva de Israel tem provocado forte êxodo populacional no Líbano, com moradores do sul fugindo em massa em direção a Beirute, em meio a denúncias globais sobre a destruição de infraestruturas civis e o rastro de mortos e feridos na população local.
A postura de Israel foi publicamente criticada pela liderança da Casa Branca. O presidente Donald Trump questionou a proporcionalidade das ações na inteligência militar, contestando o bombardeio sistemático de edifícios residenciais sob a justificativa de buscar alvos específicos, lembrando que a maioria dos moradores desses locais não integra o Hezbollah.
Paralelamente, o vice-presidente JD Vance reforçou a posição americana ao declarar que, embora Israel possua o direito legítimo à autodefesa, o bombardeio contra civis em Beirute é inaceitável. Vance pediu que o governo israelense priorize o processo de paz em andamento no Oriente Médio, classificando as negociações como fundamentais para a estabilidade de toda a região.