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Irã exige fim dos combates no Líbano e cancela rodada inicial de negociações com os EUA

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A primeira rodada de negociações técnicas decorrente do novo memorando de entendimento entre os Estados Unidos e o Irã, que deveria ocorrer na Suíça, foi suspensa. De acordo com o Ministério das Relações Exteriores suíço e fontes diplomáticas americanas, o impasse ocorreu porque Teerã exige garantias de que Israel interrompa as operações militares no Líbano contra o Hezbollah antes de avançar com as discussões.

O cancelamento temporário interrompe o cronograma de 60 dias iniciado com a assinatura do memorando, período no qual Washington e Teerã buscam costurar um acordo definitivo sobre temas complexos e historicamente sensíveis, com destaque para a condução do programa nuclear iraniano. Mediadores internacionais trabalham nos bastidores para contornar a exigência iraniana e retomar o diálogo.

O impasse militar no Sul do Líbano

O centro da divergência reside nas contrapartidas de segurança na região. Enquanto o acordo prevê um cessar-fogo e o Irã pressiona pela retirada total das forças israelenses do território libanês, o governo de Israel mantém a postura de preservar suas tropas em uma zona de segurança no sul do Líbano, justificando a medida como necessária para proteger suas cidades fronteiriças contra ataques de foguetes e drones do Hezbollah.

Diante do cenário de hostilidades ativas, os planos logísticos da delegação americana foram adiados. A Casa Branca confirmou que o vice-presidente dos EUA, JD Vance, cancelou sua viagem originalmente prevista para o fim da semana. Em nota oficial, o governo americano enfatizou que a logística dessas negociações é historicamente complexa e imprevisível, mas reiterou que a equipe técnica segue de prontidão para embarcar assim que houver condições favoráveis. Em declarações anteriores, Vance pontuou as dificuldades de deslocamento das autoridades iranianas para fora de seu país e ressaltou que o Irã só receberá o alívio de sanções e o acesso aos fundos estipulados se cumprir rigorosamente as metas acordadas no prazo estipulado.

Inspeções nucleares e o estoque de urânio

Apesar do congelamento das reuniões principais, os canais de bastidores revelaram avanços no setor nuclear. O enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, informou a parlamentares americanos em sessão reservada que Teerã aceitou assinar uma carta paralela com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). O documento prevê o retorno dos inspetores internacionais às instalações iranianas para verificar as condições do programa e mensurar o estoque atual de urânio altamente enriquecido. Witkoff assegurou ao Congresso que o memorando principal não contém cláusulas secretas ocultas do público.

A mensuração do material nuclear iraniano tornou-se um desafio extra após a guerra de 12 dias entre Israel e o Irã, ocorrida em junho passado. Parte considerável do urânio enriquecido teria ficado soterrada sob os escombros de complexos bombardeados pelas forças americanas. O Irã, que historicamente nega a intenção de desenvolver armamentos atômicos a despeito de enriquecer combustível em níveis sem aplicação civil clara, vinha sendo duramente criticado pela AIEA pela falta de transparência e por restringir o acesso internacional às suas bases.

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As ‘linhas vermelhas’ de Teerã e a liderança política

No plano político interno, o Irã adota um tom de cautela e firmeza. O Líder Supremo, Mojtaba Khamenei — que assumiu o posto em março após a morte de seu pai, Ali Khamenei, em decorrência dos bombardeios da coalizão EUA-Israel —, chancelou o início das tratativas, mas advertiu que o diálogo direto com Washington não representa uma submissão aos interesses americanos. Mojtaba, que não faz aparições públicas desde o início do conflito recente, deu sinal verde ao processo após receber garantias do presidente Masoud Pezeshkian de que a soberania nacional e os interesses da “Frente de Resistência” regional seriam preservados.

Reforçando a retórica de defesa, o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou à imprensa oficial que o país não ultrapassará suas “linhas vermelhas” institucionais. Ghalibaf afirmou que Teerã buscará diplomaticamente os interesses da nação, mas alertou que o país está militarmente preparado para reagir de forma contundente caso os Estados Unidos tentem impor condições por meio do uso da força.

O avanço diplomático atual busca encerrar de vez os desdobramentos da campanha militar iniciada no início do ano, que visava desmantelar as capacidades de mísseis e o programa nuclear de Teerã. O conflito entrou em cessar-fogo em abril sem que os objetivos ocidentais fossem plenamente atingidos, deixando um rastro de forte impacto econômico global devido ao bloqueio iraniano instituído no Estreito de Ormuz, via por onde escoa um quinto do petróleo e gás mundial.

Como contrapartida à suspensão das sanções e do bloqueio naval norte-americano, o memorando de entendimento exige que as autoridades iranianas normalizem o tráfego marítimo na região e iniciem a remoção de minas navais das rotas comerciais. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã informou que emitirá permissões céleres para a travessia segura de navios mercantes, orientando que as embarcações sigam estritamente os cronogramas e canais designados pela marinha local para evitar acidentes durante os trabalhos de desminagem.

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