Irã rompe negociações com os EUA às vésperas do fim da trégua e alerta Trump: sobre ‘novas cartas’ no campo de batalha
O governo do Irã optou por suspender o envio de sua delegação diplomática a Islamabad, no Paquistão, frustrando a expectativa de retomada das negociações diretas com os Estados Unidos nesta quarta-feira. De acordo com informações divulgadas pela agência de notícias Tasnim, Teerã comunicou oficialmente a Washington, por meio da mediação paquistanesa, que não vislumbra perspectivas para o reinício do diálogo no momento atual. A decisão marca um retrocesso significativo nos esforços diplomáticos para estabilizar a região.
A resistência iraniana em retornar à mesa de negociações fundamenta-se na percepção de que os termos acordados anteriormente foram desrespeitados. Fontes ligadas à Tasnim indicam que o Irã havia aceitado um cessar-fogo baseado em uma proposta de dez pontos que, supostamente, contava com o aval da Casa Branca. No entanto, Teerã agora acusa Washington de introduzir novas exigências que violam o pacto original e de manter um bloqueio naval no Estreito de Ormuz, mesmo após o Irã ter liberado a circulação de navios comerciais na região.
Fracasso na trégua e o Estreito de Ormuz
O acordo de trégua, estabelecido em 7 de abril, previa um cessar-fogo de duas semanas e a garantia de fluxo logístico pelo Estreito de Ormuz, ponto vital por onde transita um quinto de todo o petróleo e gás global. Apesar do otimismo inicial do presidente Donald Trump, que havia confirmado o envio do vice-presidente JD Vance ao Paquistão para mediar a paz, o New York Times reportou que a viagem foi cancelada devido ao silêncio de Teerã diante das contrapropostas americanas. Para as autoridades iranianas, a ausência de progressos reais transformou as reuniões em uma “perda de tempo”.
Escalada de ameaças e prontidão militar
O cenário de desconfiança é agravado pelo tom beligerante adotado por ambos os lados. O presidente Trump reiterou que, caso o cessar-fogo expire nesta terça-feira sem um novo consenso, as operações de bombardeio contra alvos iranianos serão retomadas imediatamente. Em resposta às pressões de Washington, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que o país não aceitará dialogar sob coerção. Ghalibaf advertiu que o Irã possui “novas cartas” para apresentar no campo de batalha caso a violência seja a via escolhida pelos Estados Unidos.