Finlândia derruba veto histórico e autoriza armas nucleares da OTAN por tensão com a Rússia
O Parlamento da Finlândia aprovou, nesta quarta-feira, a proposta governamental que legaliza a entrada, o transporte, o fornecimento e a posse de armas nucleares em seu território. A decisão histórica foi tomada por uma maioria expressiva de 125 votos a favor e 61 contra, em uma sessão que não registrou abstenções ou votos em branco, contando apenas com a ausência de 13 parlamentares.
A nova medida altera profundamente a Lei de Energia Nuclear e o Código Penal finlandês. De acordo com o ministro da Defesa do país, Antti Häkkanen, a reforma legislativa tem como principal objetivo maximizar a segurança nacional diante de um cenário internacional que ele classificou como imprevisível.
Fortalecimento da dissuasão e alinhamento com a OTAN
Ao defender o projeto, apresentado originalmente em abril, o ministro da Defesa argumentou que a remoção das restrições legais sobre os dispositivos nucleares serve para consolidar a capacidade de dissuasão e defesa do país. Segundo Häkkanen, a mudança eleva o limite para o uso de força militar tanto contra a Finlândia quanto contra a Aliança Atlântica.
Essa guinada na postura estratégica do país conta com o forte impulso do presidente finlandês, Alexander Stubb. O mandatário reitera que o interesse de Helsinque é garantir a ausência completa de obstáculos jurídicos que possam travar a plena integração e participação da Finlândia na estrutura de defesa coletiva da OTAN.
Reação imediata e alertas do Kremlin
A aprovação do projeto aprofunda o distanciamento diplomático com a Rússia, com quem a Finlândia compartilha uma extensa fronteira. Logo após a apresentação inicial da proposta em abril, o governo russo reagiu de forma contundente à movimentação do país vizinho.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, emitiu um alerta formal sobre as intenções de Helsinque. Segundo o representante russo, a permissão para a entrada de armamento nuclear em território finlandês representa um cenário de confronto direto em sua forma mais concentrada, sinalizando um aumento das tensões geopolíticas na região nórdica.