Trump eleva o tom contra o Brasil no G7: “País difícil e politicamente desagradável”
Durante o encerramento da Cúpula do G7 na cidade francesa de Évian, o presidente dos EUA, Donald Trump, manifestou uma visão crítica sobre o atual cenário político brasileiro. Ao ser questionado sobre um possível encontro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trump classificou o Brasil como um país politicamente complexo e resistente às negociações conduzidas por Washington. O mandatário norte-americano enfatizou que, embora os governantes brasileiros adotem uma postura firme e “joguem duro” nas negociações bilaterais, nenhuma nação atua de forma tão incisiva quanto os próprios Estados Unidos.
Ainda no contexto do evento internacional, o presidente norte-americano comentou sobre os desdobramentos jurídicos envolvendo a família do ex-presidente Jair Bolsonaro. Contudo, ao abordar o tema, Trump acabou confundindo os filhos do ex-mandatário brasileiro ao se referir à recente sentença de Eduardo Bolsonaro como se fosse direcionada a seu irmão, Flávio. Ele relatou ter sido pego de surpresa com a notícia logo após se despedir de Lula, apontando o episódio como uma manobra política para conter o avanço do parlamentar nas pesquisas eleitorais, motivada por declarações feitas pelo brasileiro em território texano.
Condenação por sabotagem e pressão internacional
Os comentários do líder norte-americano repercutiram a decisão unânime do Supremo Tribunal Federal (STF), que condenou o ex-deputado Eduardo Bolsonaro a uma pena de quatro anos e dois meses de reclusão. A Suprema Corte considerou o parlamentar culpado por tentar sabotar o julgamento que apurava a tentativa de golpe de Estado contra seu pai. A acusação se baseou em uma viagem de Eduardo aos Estados Unidos, cujo objetivo seria exercer pressão política para evitar a condenação de Jair Bolsonaro, além de articular junto a autoridades americanas a imposição de uma tarifa de 50% sobre as importações de produtos brasileiros.
Reação do parlamentar no exílio
Em contrapartida, Eduardo Bolsonaro utilizou suas redes sociais para repudiar veementemente a decisão judicial, classificando o veredicto como nulo por desrespeitar o devido processo legal. Identificando-se na plataforma X como “deputado federal no exílio”, ele alegou que o julgamento carece de sentido e que o verdadeiro propósito da condenação é puramente eleitoral. Segundo o parlamentar, a investida do Judiciário, capitaneada pelo ministro Alexandre de Moraes, visa unicamente retirá-lo da disputa política e inviabilizar sua participação nas próximas eleições.