Sob pressão, festival europeu cancela palestra de magnata da tecnologia sobre o Anticristo

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A direção do Wiener Festwochen, um dos festivais culturais mais prestigiados da Áustria, cedeu à forte pressão da comunidade artística e cancelou um debate programado com o bilionário da tecnologia Peter Thiel. O evento, que acontece anualmente entre os meses de maio e junho em Viena, tomou a decisão após diversos artistas integrados à programação ameaçarem um boicote em massa contra a participação do empresário americano.

O encontro que disparou a crise estava marcado para o dia 7 de junho, sob o provocativo título “Armagedom e Anticristo? Da Teologia à Política Real”. Assim que o nome de Thiel foi anunciado, uma onda de indignação tomou conta dos bastidores. Diante do volume crescente de desistências e cancelamentos por parte dos próprios artistas do festival, os diretores Milo Rau e Artemis Vakianis admitiram que ficou inviável manter a agenda com o magnata sem comprometer a estrutura do evento.

A justificativa da direção

Ao se pronunciar sobre a decisão, o diretor Milo Rau enfatizou que, embora considerasse o debate extremamente interessante, a prioridade máxima precisava ser a preservação do festival como um todo. Rau afirmou que leva as críticas muito a sério e que insistir na presença de Peter Thiel significaria desvalorizar e contradizer o respeito que tem pelos artistas e participantes que dão vida à programação cultural daquela edição.

Reação política e acusaos de censura

A debandada e o consequente cancelamento, no entanto, abriram uma nova frente de batalha, desta vez na arena política austríaca. Setores conservadores e da direita local reagiram com dureza à decisão da diretoria. Lukas Brucker, porta-voz cultural do Partido da Liberdade da Áustria, classificou o episódio como um verdadeiro desastre para a democracia. Segundo ele, convidar personalidades para depois desconvidá-las por pressões ideológicas transforma o festival em um palco de autopromoção, destruindo o espaço para o diálogo aberto. Brucker chegou a exigir a demissão imediata de Rau e o corte de subsídios públicos ao evento.

O descontentamento também foi ecoado pelo Partido Popular Austríaco. Harald Zierfuss, líder da bancada parlamentar da legenda, criticou publicamente a postura do festival em ceder ao que chamou de pressões de artistas de esquerda. Para o parlamentar, esse tipo de postura sabota a cultura do debate e transforma um festival tradicional em uma bolha ideológica, questionando a própria relevância e necessidade do evento caso ele se limite a ser uma câmara de eco de apenas um espectro político.

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