EUA colocam Brasil fora de “lista de aliados” e acendem alerta na diplomacia
Em pronunciamento nesta terça-feira (2), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, defendeu as diretrizes da política externa norte-americana para o Hemisfério Ocidental. Ao exaltar o que classificou como uma “coalizão de países amigos” no continente, o chefe da diplomacia dos EUA excluiu explicitamente o Brasil da lista de aliados estratégicos na região, posicionando o país ao lado de nações como Cuba, Venezuela, Nicarágua e, em menor grau, a Colômbia, embora tenha ressalvado que o território brasileiro atravessa um período eleitoral.
A reação do governo brasileiro foi imediata. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rebateu as declarações de Rubio e o classificou como “anti-América Latina”. O mandatário brasileiro revelou ainda ter alertado o presidente Donald Trump, durante uma reunião realizada no início de maio, sobre a postura hostil de Rubio em relação ao Brasil. O embate ocorre em um momento de desgaste diplomático, intensificado por um relatório recente de Washington que sugere a aplicação de uma sobretaxa de 25% sobre produtos de exportação brasileiros.
Impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã
Durante sua primeira audiência no Congresso norte-americano desde o início do conflito no Oriente Médio, Rubio também prestou esclarecimentos sobre a condução da crise internacional. O secretário negou que os canais de diálogo com o Irã tenham sido interrompidos e garantiu que o governo de Teerã aceitou debater pontos cruciais de seu programa nuclear. Segundo ele, as negociações bilaterais permanecem ativas, apesar das crescentes tensões na região.
A versão da Casa Branca, no entanto, diverge das informações que circulam nos bastidores do Oriente Médio. Fontes do governo iraniano informaram à agência Fars News que os contatos com os negociadores americanos foram suspensos há dias. A interrupção seria uma retaliação direta aos recentes bombardeios israelenses no Líbano, que colocaram em risco o frágil acordo de cessar-fogo que vinha sendo costurado entre Washington e Teerã.
Pressão no Congresso e divisão no partido Republicano
O prolongamento dos combates tem desgastado o apoio político à estratégia da Casa Branca dentro do próprio Poder Legislativo. Embora Rubio tenha recebido respaldo da maioria republicana em reuniões anteriores, o custo bilionário da guerra e as potenciais consequências econômicas começam a fragmentar a base governista. Com a proximidade das eleições legislativas de meio de mandato, um grupo de parlamentares republicanos passou a se alinhar aos democratas nas cobranças por maior transparência e controle dos gastos militares.
Esse descontentamento já se reflete em movimentações legislativas concretas. O Senado avançou com um projeto que visa obrigar o presidente a retirar as tropas norte-americanas do conflito, uma iniciativa que ganhou força após a adesão de congressistas da ala governista. Paralelamente, a liderança republicana na Câmara dos Deputados precisou manobrar para barrar a votação de uma resolução que limitaria os poderes de guerra do Executivo, diante do risco iminente de derrota em plenário.
Apesar das pressões internas e das cobranças para que Washington evite o envolvimento em novos conflitos prolongados no Oriente Médio, integrantes do primeiro escalão do governo continuam a respaldar as decisões de Trump. Marco Rubio deve enfrentar novos questionamentos de deputados e senadores em uma nova rodada de depoimentos agendada para esta quarta-feira (3).