Fachin avalia arquivar denúncia de Moraes contra André Mendonça em meio à crise no STF
A condução da crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) colocou o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, no centro de uma decisão crucial para os rumos do Judiciário. Na sessão marcada para o dia 23, o magistrado tem nas mãos a prerrogativa de exercer o controle de admissibilidade e barrar um pedido de investigação formulado por Alexandre de Moraes contra André Mendonça. O embate gira em torno do uso de um relatório da Polícia Federal que embasou a investida de Moraes contra Mendonça. A reação ocorreu após o colega de corte tornar público o material que apontava conversas entre o próprio Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Os três eixos da pressão por arquivamento
Juristas e analistas apontam que uma eventual decisão de Fachin pelo arquivamento deve se sustentar em pilares jurídicos e políticos fundamentais. O primeiro deles diz respeito ao vício formal e jurídico da acusação. O documento central é apócrifo, carece de assinatura, não utiliza papel timbrado da Polícia Federal e declara explicitamente não possuir valor probatório, sendo classificado como de baixa confiança. A legislação processual impede que peças anônimas sirvam de base única para investigações, tese já defendida formalmente pelo Partido Novo, que apontou indícios de uso de inteligência artificial no texto.
O segundo eixo envolve o contexto de retaliação. A investida ocorreu imediatamente após a revelação das mensagens de Moraes com Vorcaro e de menções a um contrato milionário envolvendo o escritório de advocacia de sua esposa. O movimento é interpretado nos bastidores como uma tentativa de inversão de papéis, onde o investigado passa a acusar o relator.
Por fim, o terceiro aspecto trata do resgate institucional. Desde que assumiu a presidência em um momento de fragilidade da corte, Fachin tem buscado recentralizar decisões e restaurar o decoro. Arquivar o procedimento seria um passo definitivo para evitar que o plenário valide um contra-ataque baseado em dados desqualificados pelo próprio órgão produtor.
Com o julgamento se aproximando, a decisão de Fachin servirá como termômetro para saber se a cúpula do Judiciário conseguirá impor filtros legais rígidos diante de crises de proporções sistêmicas.