EUA cobram aval do Itamaraty para dissidentes concorrerem nas eleições de outubro
O governo de Donald Trump enviou uma comunicação oficial ao Itamaraty exigindo que o Brasil assegure a participação de chamados “dissidentes políticos” nas eleições presidenciais de 2026. A revelação foi feita pelo jornal O Estado de São Paulo e posteriormente confirmada por fontes diplomáticas brasileiras.
A exigência foi sumariamente rejeitada pelo governo brasileiro por conter termos considerados absurdos. Diante do teor da demanda, a proposta sequer foi integrada às pautas formais das negociações bilaterais em andamento e ficou restrita ao corpo técnico da diplomacia, sem alcançar o alto escalão dos dois governos, como o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio.
Conexão com o tarifaço e menção a Bolsonaro
De acordo com os relatos diplomáticos, a imposição foi apresentada por Washington em meio às tratativas relacionadas às sobretaxas comerciais anunciadas pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros no ano passado. Embora o documento não tenha especificado nomes, o contexto remete a declarações anteriores do líder republicano.
Em correspondência enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o anúncio das tarifas, Donald Trump associou a medida a supostos ataques do Brasil contra o processo eleitoral. Na mesma carta, o chefe da Casa Blanca criticou duramente os procedimentos judiciais enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), classificando os julgamentos como uma “caça às bruxas” e exigindo o encerramento imediato dos processos contra o aliado político. Até o momento da publicação desta matéria, a administração norte-americana não havia emitido um posicionamento oficial sobre o caso.