Explosões atingem diversas cidades do Irã em nova série de ataques aéreos dos EUA; Teerã retalia vizinhos no Golfo
Os Estados Unidos lançaram uma nova e intensa onda de ataques aéreos contra o território iraniano na manhã desta quinta-feira. A ofensiva militar ocorreu logo após o presidente Donald Trump alertar que Teerã “pagaria o preço” pela estagnação nas negociações de paz. Em resposta imediata à ação americana, as forças iranianas retaliaram com ataques direcionados ao Bahrein, ao Kuwait e à Jordânia, elevando drasticamente a tensão na região e colocando em risco o frágil cessar-fogo de dois meses que vinha sendo mantido a duras penas.
Esta nova operação de Washington mostrou-se mais abrangente e agressiva do que as incursões do dia anterior. O próprio presidente Donald Trump revelou que os EUA lançaram 49 mísseis Tomahawk e mobilizaram caças de combate para os bombardeios. O mandatário supervisionou toda a ação militar diretamente da sala de crise da Casa Branca, detalhando os desdobramentos em uma conversa com o jornalista Trey Yingst, da Fox News. Explosões foram reportadas nos arredores da capital, Teerã — com um dos alvos principais localizado a cerca de 64 quilômetros da cidade —, além da cidade portuária de Bandar Abbas e de áreas estratégicas no sul do país.
O estopim para a retomada das hostilidades foi a queda de um helicóptero Apache americano sobre o Estreito de Ormuz, incidente que a Casa Branca atribuiu diretamente a Teerã e que foi respondido pelo Comando Central dos EUA como uma reação a uma “agressão injustificada”. De acordo com o relato de Yingst, Trump afirmou ter tido contato direto com autoridades iranianas durante a noite, que apelaram formalmente para que o presidente interrompesse os bombardeios em solo iraniano.
Retaliação regional e impacto nas linhas de frente
A reação iraniana provocou alertas imediatos nos países vizinhos. O Kuwait optou por fechar preventivamente o seu espaço aéreo, omitindo detalhes sobre possíveis danos. O Bahrein chegou a acionar suas sirenes de aviso de mísseis, enquanto a Jordânia manteve o silêncio oficial, embora a embaixada dos EUA em Amã tenha emitido um comunicado de alerta aos cidadãos. Paralelamente, o cenário marítimo registrou incidentes graves. De acordo com a empresa de segurança Ambrey, dois primitivos de um navio-tanque desapareceram e um ficou ferido após um suposto ataque com míssil em meio ao bloqueio naval imposto pelos EUA.
No plano doméstico iraniano, os reflexos dos bombardeios anteriores já eram sentidos pela população. A mídia estatal informou que os ataques de quarta-feira destruíram dois reservatórios no sul do país, interrompendo o fornecimento de água potável para cerca de 20 mil moradores. Em contrapartida, os militares americanos detalharam que os alvos principais da rodada anterior foram sistemas de defesa aérea, radares e estações de controle terrestre, concentrados em localidades como a ilha de Qeshm e a cidade litorânea de Sirik.
Bastidores políticos e a disputa pelo petróleo
Nos bastidores políticos, Donald Trump adotou um tom duro e acusou os negociadores iranianos de estarem “enrolando” e fazendo o governo americano “de bobo”, desfazendo o otimismo de que um acordo definitivo estaria iminente. O presidente americano chegou a ameaçar novos bombardeios contra a infraestrutura civil do Irã, incluindo pontes e usinas de energia, caso Teerã não acelere o processo diplomático e assine o acordo.
Em uma declaração surpreendente feita na Casa Branca, Trump revelou publicamente que os EUA têm realizado operações noturnas para extrair milhões de barris de petróleo do Irã. Segundo o mandatário, essa retirada contínua de óleo cru tem sido o fator primordial para manter os preços internacionais do barril estabilizados entre US$ 85 e US$ 90, impedindo que a cotação disparasse para a casa dos US$ 250.
Apesar do agravamento da crise, os esforços de mediação regional continuam ativos. Uma delegação oficial do Catar desembarcou em Teerã na tentativa de conter a escalada de violência e reatar os fios do diálogo. No entanto, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baqaei, alertou que as ações militares de Washington feriram de morte a viabilidade das negociações de paz em andamento. O principal ponto de discordância continua sendo o controle do Estreito de Ormuz e a exigência de Teerã pelo fim das sanções internacionais e pelo desbloqueio de bilhões de dólares em ativos.
A urgência de Trump em obter um resultado diplomático também é moldada pelo cenário interno americano. Com a proximidade das eleições de meio de mandato, o presidente enfrenta uma inflação crescente e uma queda acentuada em seus índices de aprovação popular. Para além das garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares, o maior entrave para a paz duradoura reside na geopolítica regional: o Irã exige que qualquer trégua inclua a frente de combate do Hezbollah no Líbano, enquanto Washington e Israel insistem em tratar os conflitos de forma isolada.