EUA e Irã fracassam em Islamabad e negociações de paz terminam sem acordo

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As históricas e exaustivas negociações entre os Estados Unidos e o Irã, realizadas na capital paquistanesa, Islamabad, chegaram ao fim na manhã deste domingo sem um consenso para encerrar a guerra. Após 21 horas de discussões diretas — as de mais alto nível desde a Revolução Islâmica de 1979 —, o encontro terminou com trocas de acusações mútuas, deixando em aberto o futuro do frágil cessar-fogo que interrompeu temporariamente mais de seis semanas de combates mortais e instabilidade no mercado global de energia.

A delegação americana, chefiada pelo vice-presidente JD Vance, deixou o Paquistão logo após o encerramento, reafirmando que as exigências fundamentais de Washington não foram atendidas. Vance lamentou a ausência de um acordo, classificando o desfecho como uma notícia pior para Teerã do que para os EUA. Segundo ele, os iranianos recusaram termos cruciais, especialmente no que diz respeito ao compromisso afirmativo de abandonar a busca por armas nucleares e as ferramentas que permitiriam uma rápida militarização de seu programa atômico.

Divergências estratégicas e desconfiança histórica

Do lado iraniano, a percepção foi de que as exigências americanas foram “excessivas”. Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento iraniano e um dos líderes da delegação, afirmou que o país apresentou propostas progressistas, mas que os Estados Unidos falharam em conquistar a confiança necessária para avançar. Em declarações oficiais, autoridades de Teerã destacaram que o histórico de conflitos anteriores gera um ambiente de profunda desconfiança, dificultando a aceitação de termos impostos pelo governo de Donald Trump.

Além da questão nuclear, outros pontos críticos impediram a assinatura do tratado. O controle e a cobrança de taxas no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial, permanecem como grandes nós diplomáticos. Enquanto o Irã exige a soberania sobre o canal e o pagamento de reparações de guerra, o governo Trump busca garantir a livre navegação e o desmantelamento da infraestrutura bélica iraniana. Trump, inclusive, minimizou o resultado das conversas, declarando que a ausência de um acordo não altera sua percepção de vitória militar.

O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, fez um apelo para que ambas as partes continuem a honrar o cessar-fogo de duas semanas estabelecido na última terça-feira. A trégua é vista como vital para conter uma crise humanitária que já soma milhares de vítimas. Dados sugerem que mais de 3.600 iranianos morreram desde o início das hostilidades, em 28 de fevereiro, incluindo centenas de crianças. Do lado israelense e aliado, dezenas de civis e militares também perderam a vida em ataques com mísseis balísticos e combates regionais.

Apesar do fracasso na mesa de negociações, pequenos sinais de alívio foram registrados no Estreito de Ormuz, com a passagem de três superpetroleiros no sábado — o primeiro movimento de carga desde o início do bloqueio iraniano. No entanto, centenas de embarcações permanecem retidas no Golfo, aguardando definições de segurança. Com a saída das delegações de Islamabad, a região entra agora em um período de espera tensa, onde a continuidade do cessar-fogo dependerá da disposição dos líderes em transformar o “método de entendimento” final dos EUA em uma solução duradoura.

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