EUA ampliam ataques aéreos contra pontes e energia no Irã; Teerã dá resposta imediata contra aliados americanos
Uma nova onda de bombardeios promovida pelos Estados Unidos na última sexta-feira atingiu alvos estratégicos no Irã, incluindo pontes, complexos energéticos e instalações portuárias de grande importância. A expansão da campanha aérea americana desencadeou uma reação imediata de Teerã, que respondeu com ataques coordenados contra nações aliadas de Washington no Oriente Médio, agravando severamente a crise geopolítica na região.
Na província de Hormozgan, no sul do território iraniano, os ataques aéreos norte-americanos destruíram pontes essenciais para o fluxo de transporte em direção a Bandar Abbas, o principal porto do país, deixando um saldo de pelo menos sete mortos, segundo a TV estatal local. Adicionalmente, as forças dos EUA derrubaram uma torre de monitoramento no porto de Chabahar, localizado no Golfo de Omã, e danificaram gravemente a rede elétrica regional, além do aeroporto de Iranshahr.
Crise energética, impacto civil e o debate humanitário
Diante do colapso parcial da infraestrutura gerado pelas investidas militares, o Ministério da Energia do Irã emitiu um comunicado urgente solicitando que a população racione o uso de eletricidade e sistemas de refrigeração. O órgão destacou que as províncias do sul enfrentam simultaneamente uma forte onda de calor extremo e o desabastecimento provocado pelos bombardeios. Especialistas em direitos humanos alertam que investidas contra estruturas de suporte à vida civil, sem justificativa de uso militar, podem se enquadrar como crimes de guerra.
Balanços preliminares divulgados por Hossein Kermanpour, porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, indicam que a ofensiva aérea dos EUA já resultou em pelo menos 38 mortes e mais de 400 feridos no país até a manhã de sexta-feira. A operação reflete a postura do presidente Donald Trump, que recentemente se reuniu com a cúpula de defesa para traçar uma estratégia aérea mais agressiva, cujo objetivo principal é forçar Teerã a restabelecer a livre circulação no Estreito de Ormuz.
Rompimento de acordos e retaliação regional
O atual ciclo de hostilidades completou sete dias e inviabilizou o entendimento provisório que os dois países mantinham para assegurar o tráfego marítimo enquanto negociavam uma trégua de longo prazo. Após o Irã bloquear o estreito e os EUA retomarem o cerco naval aos portos persas no meio da semana, a Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) subiu o tom. O comando militar iraniano declarou publicamente que os países da região que abrigam bases militares americanas pagarão um preço devastador caso as agressões contra alvos civis e logísticos persistam.
A retaliação iraniana concretizou-se em ataques direcionados a territórios do Bahrein, Kuwait, Jordânia, Omã e Catar. O Catar, que historicamente atua como canal diplomático e mediador entre as potências, acabou sendo atingido nesta nova fase de violência; estilhaços de mísseis interceptados feriram uma criança no país. No Kuwait, os projéteis iranianos atingiram um complexo de energia e dessalinização de água, comprometendo uma estrutura vital para o abastecimento público, visto que o país depende do processo para obter 90% de sua água potável.
Tensões nas fronteiras e estrangulamento do comércio global
O impacto dos confrontos também reverberou em outras frentes da região. No Curdistão iraquiano, bombardeios atribuídos ao Irã resultaram na morte de oito integrantes de grupos de oposição curda. Teerã reivindicou ainda um ataque contra a base militar de al-Tanf, na Síria, embora fontes do governo sírio tenham negado a ocorrência do fato à imprensa internacional. No centro de toda a disputa permanece o Estreito de Ormuz, canal por onde escoava cerca de 20% do petróleo e gás mundial antes do início das hostilidades.
Com as rotas marítimas operadas sob regras divergentes definidas por Washington e Teerã, o fluxo de grandes navios de carga despencou drasticamente. Dados da Lloyd’s List Intelligence apontam que o volume semanal de fretes na região caiu quase 25% no início deste mês, cenário que tendeu a piorar nos últimos dias. Para mitigar os riscos de interceptação ou ataques — como o que avariou levemente um navio-tanque na rota de Omã —, diversas embarcações operam com localizadores desligados ou preferem permanecer ancoradas, enquanto o uso de oleodutos terrestres mostra-se insuficiente para suprir a demanda global.
Bloqueio marítimo e o risco de um apagão energético mundial
No Golfo de Omã, o Exército dos EUA intensificou o cerco econômico. Fuzileiros navais realizaram a abordagem do navio comercial M/T Wen Yao para enquadrá-lo nas diretrizes do bloqueio naval. O Comando Central dos EUA informou também ter interceptado e alterado a rota de outras três embarcações que tentavam romper o cerco, além de ter disparado contra um petroleiro vazio em um episódio anterior.
Em contrapartida, o Irã acionou seus aliados houthis no Iêmen, orientando-os a fechar a rota petrolífera do Mar Vermelho caso a infraestrutura de energia iraniana continue a ser destruída, uma manobra que analistas avaliam como potencialmente paralisante para a economia mundial. O líder houthi, Abdul Malik al-Houthi, ameaçou inclusive direcionar ataques a refinarias e pontos estratégicos da Arábia Saudita caso o governo de Riad interfira no conflito iemenita, após episódios recentes de bombardeios sauditas no aeroporto de Sanaa.
Enquanto a diplomacia internacional patina — com o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão admitindo extrema dificuldade em intermediar conversas —, a liderança americana mantém o tom de otimismo interno. Em pronunciamento à nação, Donald Trump minimizou os impactos comerciais e garantiu que a estratégia militar está sendo bem-sucedida, afirmando que os Estados Unidos estão colhendo vitórias expressivas na região.