Ministro Mendonça é sorteado relator de queixa-crime de Ronaldo Caiado contra Guilherme Boulos

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi definido por sorteio como o relator da queixa-crime apresentada pelo ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), contra o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL). A ação judicial, motivada por acusações de suposta calúnia, difamação e injúria, foi distribuída na última terça-feira. O processo centraliza-se em uma publicação em que Boulos afirma que o político goiano estaria envolvido em um escândalo relacionado ao crime organizado em seu estado natal.

O material que gerou a disputa jurídica foi veiculado no mês de maio em quatro plataformas digitais do ministro do governo federal. Na gravação, Boulos contesta o posicionamento firme de Caiado no combate à criminalidade, classificando a postura do ex-governador como um exemplo de hipocrisia da ala política à qual pertence. A peça audiovisual faz uma montagem intercalando declarações públicas de Caiado sobre segurança com reportagens jornalísticas a respeito de contratos milionários firmados pela gestão goiana.

Os detalhes da acusação e a defesa do ex-governador

A controvérsia gira em torno de contratos que somam R$ 141 milhões entre o governo de Goiás e uma fundação liderada por um empresário detido sob a suspeita de lavagem de dinheiro para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Na peça inicial encaminhada ao STF, Ronaldo Caiado esclarece que não possui qualquer tipo de vínculo com a instituição mencionada e enfatiza que seu nome sequer foi citado nas investigações coordenadas pela Polícia Civil do Estado de São Paulo.

A defesa do ex-governador argumenta que o conteúdo audiovisual edifica uma narrativa deliberadamente enganosa com o objetivo explícito de induzir a opinião pública a associá-lo a práticas ilícitas. Os advogados de Caiado sustentam que a publicação representa um ataque planejado à honra e à imagem pública do político, estruturado de forma intencional às vésperas do período eleitoral, utilizando uma investigação alheia para forjar uma cumplicidade inexistente.

Pedidos de indenização e a reação de Boulos

Diante do suposto dano à sua reputação, Caiado solicita à Suprema Corte não apenas a condenação criminal do ministro da Secretaria-Geral, mas também o pagamento de uma indenização por danos morais fixada em R$ 50 mil. O texto da petição estabelece que, caso o pedido seja julgado procedente, o montante financeiro seja revertido diretamente pelo STF para uma instituição de caridade ou de assistência social.

Por outro lado, Guilherme Boulos utilizou suas redes sociais para se manifestar publicamente sobre a iniciativa judicial do ex-governador. Em uma publicação em seu perfil na plataforma X, o ministro minimizou a queixa-crime e declarou que os fatos compartilhados são de interesse público. Boulos ironizou a reação jurídica do político goiano, afirmando que, se Caiado pretende contestar a veracidade das informações publicadas, deveria estender as ações judiciais também aos diversos portais de imprensa que originalmente noticiaram o caso dos contratos estaduais.

Foto: AP

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