Trump acusa China de interferência eleitoral; Pequim se revolta e dispara: “Totalmente inventado”
O presidente dos EUA, Donald Trump, utilizou um pronunciamento em horário nobre para desclassificar documentos que, segundo ele, comprovam a interferência de Pequim no sistema eleitoral americano. A estratégia resgata seus tradicionais questionamentos à integridade das urnas, embora colida diretamente com os relatórios da própria inteligência dos EUA, que não apontam qualquer impacto do governo chinês no pleito de 2020. O discurso de 25 minutos surge em um momento em que a liderança republicana busca blindar suas maiorias no Congresso nas próximas eleições de meio de mandato, em meio a desgastes políticos provocados pelos preços elevados da energia e pelo conflito com o Irã.
Durante a transmissão, Trump alegou que a comunidade de inteligência operou como um “governo paralelo” para ocultar que a China teria obtido dados de 220 milhões de eleitores. No entanto, fontes de bastidores e relatórios oficiais indicam que as informações obtidas por Pequim eram públicas e comercializáveis, incapazes de adulterar votações. A investida de Trump foca em uma suposta campanha de influência cultural e política da China para desestabilizar sua permanência no poder, e não na fraude direta de votos.
O impasse legislativo e a pressão no congresso
Aproveitando a visibilidade do pronunciamento, o presidente elevou a pressão sobre os parlamentares para a aprovação do SAVE America Act. O projeto de lei propõe restrições severas ao voto por correio e exige comprovantes rígidos de cidadania e identificação com foto para o sufrágio. Embora a fraude eleitoral seja estatisticamente rara no país, a proposta é defendida como crucial pelo ecossistema trumpista.
A matéria enfrenta barreiras complexas no Capitólio. Apesar de avançar na Câmara dos Representantes por maioria simples, o texto esbarra na obstrução da minoria democrata no Senado, onde são necessários 60 votos para aprovação. O foco obsessivo de Trump na eleição de 2020, contudo, gera desconforto em setores do próprio Partido Republicano, que preferem centrar o debate na inflação e no custo de vida para garantir a manutenção das cadeiras no Congresso.
Pequim reage e denuncia estratégia de campanha
A resposta do governo chinês foi imediata e incisiva. O Ministério das Relações Exteriores da China classificou as acusações de Trump como “totalmente inventadas” e acusou o governo americano de instrumentalizar o país asiático como peça de retórica eleitoral. O porta-voz Lin Jian enfatizou que Pequim adota uma política histórica de não ingerência nos assuntos políticos de Washington.
O episódio ameaça congelar a frágil estabilização diplomática alcançada após o término da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo. O atrito ocorre nas vésperas de uma reunião bilateral programada para setembro entre Trump e o presidente Xi Jinping, cujo objetivo central seria renegociar os termos de cooperação comercial mútua.
Restrições à imprensa e escalada diplomática
Além das denúncias eleitorais, a Casa Branca formalizou medidas punitivas diretas ao aparato de comunicação estrangeiro. O governo anunciou uma redução drástica na validade dos vistos de permanência para profissionais de imprensa internacional, fixando o limite máximo em 240 dias. Para jornalistas baseados na China, a restrição foi ainda mais severa, limitando o visto a apenas 90 dias.
A diplomacia chinesa repudiou a nova regra de vistos, tachando-a de discriminatória e prejudicial ao exercício do jornalismo global. Em pronunciamento oficial, Pequim exigiu a revogação imediata da medida e alertou que o país asiático estuda aplicar contramedidas proporcionais de reciprocidade contra profissionais de mídia americanos operando em território chinês.