Distrito Federal acende sinal de alerta após casos suspeitos de hantavírus

Compartilhe

A confirmação de uma morte por hantavirose em Minas Gerais — a primeira registrada no Brasil em 2026 — acendeu o sinal de alerta para epidemiologistas e órgãos de saúde. O caso interrompe um período de três anos sem registros da doença no Distrito Federal, onde a Secretaria de Saúde (SES-DF) agora monitora três casos suspeitos. Até o momento, os diagnósticos na capital aguardam confirmação oficial, enquanto os pacientes, que apresentaram sintomas em abril, passam por rigorosa investigação clínica e laboratorial.

Dados do Ministério da Saúde revelam que, entre 2013 e maio de 2026, o Brasil contabilizou 860 casos e 341 óbitos por hantavirose. Somente este ano, sete confirmações já foram feitas, espalhadas por Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Historicamente, o Distrito Federal registrou 20 casos e 14 mortes no mesmo período. A doença apresenta uma taxa de letalidade média preocupante de 46,5%, atingindo majoritariamente homens entre 20 e 39 anos em contextos ocupacionais, como a agricultura.

Formas de transmissão e grupos de risco

Transmitido por roedores silvestres, o hantavírus chega aos seres humanos principalmente pela inalação de partículas de fezes, urina ou saliva dos animais suspensas no ar. A exposição ocorre majoritariamente na zona rural (81% dos casos), sendo a limpeza de galpões, depósitos e locais pouco ventilados o principal fator de risco, respondendo por 53% das infecções. O desmatamento e o contato direto com os roedores também figuram como causas frequentes de contaminação.

Sintomas e progressão da doença

A infectologista Eveline Vale, professora do CEUB, ressalta que a hantavirose pode começar com sintomas genéricos, como febre, dor no corpo, cefaleia e náuseas, mas evolui rapidamente. Em estágios avançados, o paciente pode apresentar falta de ar severa, queda de pressão, tosse e sangramentos, culminando em insuficiência respiratória grave. Pela gravidade do quadro, a maioria dos infectados necessita de suporte hospitalar intensivo, incluindo ventilação mecânica e internação em UTI.

Atualmente, não existem vacinas ou antivirais específicos para combater o hantavírus. O tratamento é focado em suporte clínico, como hidratação intensa e auxílio respiratório. A Dra. Eliana Bicudo, do Hospital Santa Lúcia, alerta que o período de incubação pode se estender por até dois meses, exigindo monitoramento prolongado de pessoas expostas a ambientes contaminados. Para prevenir a doença, recomenda-se manter terrenos limpos, armazenar alimentos de forma segura e evitar o levantamento de poeira em locais fechados que possam abrigar roedores.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br