Discernimento: a sabedoria de Deus para os nossos dias

Compartilhe

“Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo. Vocês podem reconhecer o Espírito de Deus deste modo: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus; mas todo espírito que não confessa Jesus não procede de Deus. Esse é o espírito do anticristo, acerca do qual vocês ouviram que está vindo, e agora já está no mundo” (1 João 4:1-3).

Os crentes devem exercer discernimento em matérias espirituais, mas como realizar isso? Primeiro, precisamos entender que o discernimento, biblicamente, é a capacidade de fazer determinações adequadas sobre aquilo que nos é apresentado, aplicando a sabedoria de Deus revelada em Sua Palavra.

Desde que Satanás enganou Eva no jardim até os últimos dias, quando o anticristo enganará o mundo (2 Tessalonicenses 2:3-12), espíritos malignos têm promovido falsos ensinos para afastar as pessoas da fidelidade a Deus. Quando João alerta que “muitos falsos profetas têm saído pelo mundo”, devemos compreender que não se tratava de pessoas com aparência maligna ou satânica, mas de indivíduos com aparência externa normal. Muitos falsos profetas usam linguagem cristã, professam acreditar em Jesus, possuem personalidades atraentes e apresentam argumentos convincentes. Jesus os descreveu como “lobos vestidos de peles de ovelhas” (Mateus 7:15), e Paulo reforçou: “são falsos apóstolos, obreiros enganosos, fingindo-se apóstolos de Cristo. Isto não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz” (2 Coríntios 11:13-14).

Precisamos de discernimento porque as forças de Satanás estão ativas, promovendo falsidade em todas as oportunidades. João esclarece que existem dois espíritos: o Espírito de Deus, chamado Espírito da verdade (que inspira a verdade), e o espírito do anticristo, que promulga a falsidade e não reconhece o Senhorio de Jesus Cristo (1 João 4:2, 3, 6).

É fundamental compreender que não podemos acreditar em tudo o que ouvimos, mesmo que supostamente venha de Deus. Como os bereanos, precisamos verificar as Escrituras (Atos 17:11). Devemos examinar os espíritos para discernir se uma mensagem é a verdade divina. Não devemos aceitar passivamente o que um professor ou pregador diz; devemos confrontar seus ensinamentos com a Palavra de Deus.

Sabemos que Deus revela a verdade, enquanto o inimigo é um enganador. A informação que vem do Espírito Santo dá vida, sustenta a fé e glorifica a Deus. Se a mensagem não é inspirada pelo Espírito Santo, trata-se de espíritos enganadores ou falsos profetas. Este é um problema persistente, e aqueles sem discernimento tornam-se vítimas fáceis.

É triste observar que muitos dos chamados “líderes religiosos” são falsos mestres, dificultando a busca por igrejas onde a Palavra de Deus é ensinada com precisão. Infelizmente, muitos locais parecem ser igrejas cristãs, mas minimizam ou removem doutrinas essenciais — como o pecado, o arrependimento, a Trindade, a salvação apenas pela graça através da fé na obra de Cristo, e a divindade de Jesus — para substituir por ideias mais “sensíveis” ao público.

A Bíblia prevê: “Virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo grande desejo de ouvir coisas agradáveis, ajuntarão para si mestres segundo os seus próprios desejos” (2 Timóteo 4:3). Tais mestres ensinam práticas que não estão em harmonia com a Bíblia, como a “oração contemplativa” ou “orações em labirintos”, muitas vezes importadas da Nova Era e do hinduísmo, sendo aceitas por correntes que se movem em direção ao movimento da “Igreja Emergente”. Esses indivíduos, motivados por espíritos enganadores, ensinam “doutrinas de demônios”. O mundo está mergulhado em um mar de mentiras, e é vital que busquemos a Deus diariamente, pedindo que nos encha com o Seu dom de discernimento.

João continua sua instrução: “Todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne procede de Deus.” Afirmar que Jesus Cristo é Deus encarnado é a verdade divina ensinada pelo Espírito Santo. Já os falsos mestres negam a divindade de Jesus, revelando seu controle pelo diabo. “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho” (1 João 2:22).

O falso mestre pode reconhecer Jesus como um grande líder, mas nega que Ele seja o Salvador e o único caminho para Deus, contradizendo o próprio Jesus: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (João 14:6).

O espírito do anticristo não é apenas uma figura futura (a besta do Apocalipse); ele tem operado há quase 2.000 anos por meio de todo ensinamento que distorce a verdade sobre Cristo. Antes de aceitar qualquer ensino, precisamos verificar:

Qual é a visão dessa pessoa sobre Cristo e a salvação?

Ela reconhece que “toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2 Timóteo 3:16)?

Manifesta uma vida regenerada e submissão à Palavra?

Paulo, João e Pedro alertaram insistentemente os crentes a estarem em guarda contra o erro. “Testar tudo e reter o que é bom” (1 Tessalonicenses 5:21) continua sendo uma disciplina essencial. Para isso, o cristão deve buscar “apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade” (2 Timóteo 2:15).

Salete Sartori colunista do Devocional do dia

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

www.clmbrasil.com.br