Dia D para a economia: Trump decide esta semana se taxa mais da metade das exportações do Brasil

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O prazo final para o anúncio de Trump expira nesta quarta-feira e envolve duas frentes de taxação. A primeira delas prevê uma tarifa de 25% sob a alegação de “práticas comerciais desleais”. A segunda imposição adicionaria mais 12,5% como punição por suposta leniência no combate ao trabalho forçado. Diante da ameaça, o presidente Lula tem sido enfático ao declarar que não existe qualquer justificativa técnica ou jurídica para uma penalidade comercial tão severa.

O impacto financeiro e o impasse diplomático

Se as novas taxas forem somadas aos impostos já vigentes, o cenário projetado é alarmante: cerca de 54,1% de todas as exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos passariam a ser taxadas. Esse encarecimento generalizado atingiria em cheio a maior parte dos setores da indústria nacional. As ameaças americanas começaram a desenhar este panorama no início de junho e, desde então, Brasília abriu canais de negociação. No entanto, as tratativas não avançaram e, prevendo o pior desfecho por parte de Trump, o governo Lula já estruturou um plano de contingência para mitigar os danos.

Atualmente, a principal esperança do governo brasileiro é que Washington amplie a lista de produtos considerados isentos. Caso contrário, a elevação dos preços finais no mercado americano acabará punindo os próprios consumidores dos EUA. O Brasil, inclusive, ganhou um reforço de peso nos bastidores: um grupo de 43 empresas americanas enviou um apelo formal à administração Trump solicitando a suspensão das tarifas, argumentando que muitos insumos brasileiros não possuem substitutos no mercado internacional e que a medida inflacionará os custos locais.

Reflexos na corrida presidencial

A crise comercial acabou provocando uma reviravolta na política interna com a movimentação de Flávio Bolsonaro. O principal rival de Lula na disputa presidencial tornou-se um aliado improvável na diplomacia ao solicitar publicamente que o governo americano adie a decisão tarifária para depois das eleições de outubro.

A mudança de postura de Bolsonaro reflete um cálculo de danos em sua campanha. O candidato de oposição sofreu uma queda recente nas pesquisas de intenção de voto após vir a público que ele teria incentivado Trump — de quem é aliado ideológico — a punir comercialmente o Brasil como estratégia para desgastar o atual governo. O plano acabou gerando forte rejeição popular, e o presidente Lula capitalizou o erro do adversário, apelidando o rival nos palanques de “Tari-Flávio”.

Foto: AP

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