Condenado pelo STF, Eduardo Bolsonaro desafia a Corte e mantém ofensiva contra Moraes nos EUA
Mesmo após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a quatro anos e dois meses de prisão por coação à Justiça, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mantém sua ofensiva internacional contra o ministro Alexandre de Moraes. Em entrevista concedida nesta quarta-feira (17) ao Jornal Comunica Brasil, o parlamentar cassado confirmou que continua trabalhando nos Estados Unidos para que o governo americano restabeleça as punições da Lei Magnitsky contra o magistrado brasileiro.
A investida em Washington ocorre em um momento de forte tensão jurídica para Eduardo, cuja condenação pela Primeira Turma da Corte está diretamente ligada às suas movimentações nos EUA. O STF entendeu que o ex-deputado usou sua influência política no exterior para pressionar o Judiciário brasileiro durante o julgamento que condenou seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado.
O fator Trump e o cenário diplomático
De acordo com Eduardo Bolsonaro, o atual desenho das relações bilaterais entre Brasília e Washington pode abrir caminho para uma nova rodada de sanções contra o ministro do STF. O ex-parlamentar argumentou ao Jornal Comunica Brasil que a revogação das medidas restritivas contra Moraes, decretada pelo presidente Donald Trump em dezembro do ano passado, teve caráter puramente político. Ele aposta no desgaste entre a Casa Branca e o Palácio do Planalto para retomar a pressão.
“Como a relação do Trump com o Lula não está boa, o Lula xinga o Trump, o Moraes continua fazendo perseguição política […] há um ambiente sendo criado para o retorno da Lei Magnitsky”, declarou Eduardo durante a entrevista.
Atuação no exílio e o risco de prisão
Atualmente residindo nos Estados Unidos, o ex-deputado minimizou os efeitos da sentença condenatória emitida pela Justiça brasileira e descartou o risco de ser detido em solo americano. Eduardo afirmou que sua relevância política incomoda os adversários no Brasil e sugeriu que há uma tentativa de internacionalizar a sua ordem de prisão.
“Como eu continuo trabalhando e meu trabalho é frutífero, porque nós entregamos resultados, eles continuam doidos. Eles querem colocar meu nome na lista vermelha da Interpol”, afirmou o ex-parlamentar ao justificar a continuidade de suas atividades no exterior.
O histórico da Lei Magnitsky no embate com o STF
A Lei Global Magnitsky é uma legislação federal norte-americana que permite ao governo dos EUA congelar bens, aplicar restrições financeiras e proibir a entrada no país de cidadãos estrangeiros acusados de corrupção ou de graves violações aos direitos humanos. O mecanismo já foi utilizado contra o ministro Alexandre de Moraes em julho de 2025, sob a justificativa de supostas práticas de censura e abusos institucionais, mas acabou suspenso no fim do mesmo ano devido a uma reaproximação diplomática entre os dois países.
O cerne da condenação de Eduardo Bolsonaro no STF reside justamente nessa estratégia. A Suprema Corte brasileira concluiu que as articulações do ex-deputado junto a autoridades dos Estados Unidos para a aplicação dessa lei configuraram uma tentativa ilegal de coagir e constranger o Poder Judiciário do Brasil.