China testa míssil balístico lançado por submarino nuclear; vizinhos do Pacífico reagem com preocupação
Em uma movimentação incomum, a China realizou na última segunda-feira o teste de um míssil balístico lançado a partir de um submarino em direção ao Oceano Pacífico. Segundo nota oficial do Capitão de Mar e Guerra Wang Xuemeng, porta-voz da Marinha do Exército de Libertação Popular, o disparo de um míssil estratégico com ogiva simulada atingiu o alvo designado com precisão. O governo chinês sustentou que o exercício faz parte do cronograma anual de treinamento militar, foi conduzido em estrita conformidade com normas internacionais e não teve como alvo qualquer país ou objetivo específico. Pequim informou ainda que as nações interessadas foram comunicadas antecipadamente sobre a operação.
Embora o Ministério da Defesa chinês não tenha detalhado o modelo do artefato utilizado, especialistas apontam que o arsenal da Marinha do Exército de Libertação Popular foca em duas variantes de mísseis balísticos lançados por submarinos: o JL-2 e o JL-3. Dentre estes, o JL-3 é considerado uma peça-chave, possuindo alcance capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos a partir de posições próximas à costa chinesa. A plataforma principal para esses disparos é a classe Jin (Tipo 094), submarinos de mísseis balísticos que compõem uma frota de seis unidades. O Projeto de Defesa Antimíssil do CSIS destaca que, apesar da raridade de anúncios sobre esses lançamentos, o JL-3 teve testes registrados em 2018 e 2019.
Reações internacionais e preocupações diplomáticas
A demonstração de força militar provocou reações imediatas de vizinhos e parceiros regionais. A Nova Zelândia classificou a iniciativa como um desdobramento preocupante e indesejável, argumentando que o disparo ocorreu em uma área abrangida pela Zona Livre de Armas Nucleares do Pacífico Sul, pactuada pelo Tratado de Rarotonga. O ministro das Relações Exteriores neozelandês, Winston Peters, enfatizou que a região não deve permitir que o Pacífico Sul se torne um local rotineiro para testes de mísseis.
A Austrália adotou tom semelhante, com a chanceler Penny Wong classificando o evento como desestabilizador e pontuando que a ação ocorre em um momento de rápida expansão militar da China, marcada por falta de transparência sobre as reais intenções do país. Paralelamente, o governo japonês manifestou sérias preocupações quanto à intensificação das atividades militares chinesas, apelando para que Pequim reconsidere a prática.
O cenário estratégico das potências nucleares
Apesar das críticas, especialistas observam que o disparo de mísseis balísticos é uma prática recorrente entre potências nucleares globais. Testes semelhantes foram conduzidos recentemente por nações como Estados Unidos, Índia e Rússia, visando a manutenção da capacidade de dissuasão. O recente lançamento chinês integra um esforço mais amplo de fortalecimento das forças nucleares e da frota de submarinos de propulsão nuclear de Pequim.
Este episódio sucede um teste de míssil balístico intercontinental (ICBM) realizado pela China em setembro de 2024, que marcou o primeiro lançamento dessa categoria em mar aberto pelo país em mais de quatro décadas. Conforme relatórios do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, o Exército Popular de Libertação tem buscado elevar a prontidão de suas forças, encarando essas operações como instrumentos fundamentais para a dissuasão nuclear de média a alta intensidade, demonstrando capacidade de disparos rápidos a partir de silos e plataformas móveis.