CGU vai ouvir informante da PF que apontou elo entre Lulinha e ‘Careca do INSS’
A Controladoria-Geral da União (CGU) convocou o informante da Polícia Federal para prestar esclarecimentos sobre um suposto esquema de propina envolvendo o mercado de cannabis medicinal. O depoimento faz parte de um processo administrativo que apura a atuação da empresa World Cannabis e sua possível influência ilícita sobre servidores federais. De acordo com informações antecipadas pela CNN Brasil e confirmadas pelo jornal O Globo, o delator afirmou aos investigadores que o empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, pagava uma espécie de mesada a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Em contrapartida, o filho do presidente facilitaria o acesso ao Ministério da Saúde e à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A oitiva deve ocorrer nos próximos dias, mas a CGU declarou que não vai se manifestar publicamente por se tratar de um procedimento em andamento. A investigação administrativa foi aberta por determinação do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que relata o inquérito sobre fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em decisão proferida no final do ano passado, o magistrado ordenou o envio do caso à CGU para verificar possíveis irregularidades de servidores públicos na revisão de normas do setor de canabidiol, especificamente em relação à Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 327/2019.
O elo entre os empresários e as suspeitas da PF
As investigações da Polícia Federal apontam que a World Cannabis, de propriedade de Antunes, tinha forte interesse em expandir seus negócios no governo federal. Para isso, o empresário contratou Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, para atuar na defesa dos interesses da companhia em Brasília. Ao interceptar mensagens dos investigados, a PF identificou pagamentos realizados a uma empresa ligada a Roberta. Nos diálogos, “Careca do INSS” mencionava que os valores eram destinados ao “filho do rapaz”. Embora o nome não tenha sido citado explicitamente, os investigadores trabalham com a forte hipótese de que a referência seja uma alusão direta a Lulinha.
Diante do cenário, a defesa de Fábio Luís Lula da Silva negou veementemente qualquer irregularidade. Os advogados sustentam que ele não possui nenhum tipo de relação com os fatos investigados ou com a suposta rede de influências. Anteriormente, a defesa de Lulinha já havia prestado esclarecimentos ao STF sobre uma viagem realizada a Portugal na companhia de Antunes, com passagens custeadas pelo empresário. Segundo os defensores, o objetivo da viagem era apenas conhecer as instalações de uma fábrica de canabidiol na Europa, reforçando que o negócio nunca se concretizou e que nenhum repasse financeiro foi feito ao filho do presidente.
Defesa de empresária nega repasses e critica investigação
Em depoimento prestado por videoconferência à Polícia Federal, a empresária Roberta Luchsinger negou categoricamente ter repassado qualquer quantia financeira a Lulinha. Durante a oitiva, que durou cerca de 35 minutos, ela confirmou que prestou serviços de consultoria regulatória para Antunes no mercado de canabidiol e que foi devidamente remunerada pelo trabalho. Roberta alegou que desconhecia a origem ilícita do dinheiro e o envolvimento do empresário com fraudes no INSS, acreditando que os recursos vinham da atuação legítima de Antunes no setor farmacêutico.
Em nota oficial assinada pelos advogados Bruno Salles Pereira Ribeiro, Marco Antonio Chies Martins e Cristiane Costa, a defesa de Roberta afirmou que os esclarecimentos desmontam a tese acusatória, a qual classificaram como fruto de vazamentos seletivos. Os advogados repudiaram o tratamento dado à empresária pela cobertura midiática, classificando-o como misógino e preconceituoso ao rotulá-la pejorativamente como “lobista” ou “socialite”. A defesa também justificou mensagens em que Roberta orientava Antunes a se desfazer de celulares, alegando que o conselho foi motivado por preocupações com o vazamento de dados pessoais, antes que ela soubesse do real envolvimento do empresário em esquemas criminosos.