CDC emite comunicado sobre avanço da dengue e riscos para viajantes após surtos em diversos países

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Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) emitiram um alerta sanitário de Nível 1 em escala global após a identificação de um crescimento atípico nos registros de dengue ao redor do mundo. A medida ocorre após a detecção de um volume elevado de infecções em cidadãos americanos que retornaram de destinos variados, abrangendo países da Ásia, África, Oceania e Américas, como Afeganistão, Brasil, Cuba, Maldivas e Vietnã. Embora o Nível 1 seja o mais baixo na escala de risco, a agência reforça a necessidade de vigilância constante para quem transita por essas regiões.

Como forma de conter a disseminação, as autoridades de saúde recomendam rigorosas medidas de proteção individual contra o mosquito transmissor. As orientações incluem a aplicação constante de repelentes de insetos, além do uso de vestimentas que cubram a maior parte do corpo, como calças e camisas de manga comprida. No que diz respeito ao repouso, o conselho é priorizar ambientes com ar-condicionado ou que possuam telas de proteção nas janelas, minimizando as chances de picadas durante a noite.

Sintomas e o perigo das complicações graves

A dengue apresenta um quadro clínico variado, sendo que grande parte dos infectados — entre 40% e 80% — não manifesta sintomas visíveis. No entanto, quando a doença se manifesta, os pacientes geralmente enfrentam febre alta, dores intensas atrás dos olhos, dores musculares e articulares, além de possíveis sangramentos gengivais e manchas avermelhadas na pele. Em situações críticas, a condição pode evoluir para hemorragias internas, insuficiência cardíaca e falência de órgãos vitais, como fígado e cérebro, podendo culminar na síndrome do choque da dengue, caracterizada pela queda abrupta da pressão arterial.

A vulnerabilidade ao vírus é maior entre gestantes, idosos acima de 65 anos e crianças menores de cinco anos. Para o público infantil e adolescente, entre nove e dezesseis anos, já existe um esquema vacinal de três doses que reduz drasticamente o risco de infecção sintomática. Todavia, como ainda não existe uma cura definitiva para a dengue, a medicina foca em cuidados de suporte. O protocolo padrão envolve hidratação rigorosa e o uso de paracetamol para controle da dor e da febre, evitando medicamentos que possam agravar quadros hemorrágicos.

O panorama epidemiológico e o cenário atual

Historicamente, a dengue foi considerada erradicada nos Estados Unidos na década de 1970, mas as viagens internacionais e o aquecimento global mantêm o risco de surtos esporádicos ativo. No último ano, os dados apontaram um cenário preocupante com mais de mil casos importados e registros de transmissão local no território americano. Globalmente, a situação é ainda mais severa: o Brasil enfrentou um surto massivo com quase 200 mil casos, enquanto nações como Samoa continuam lutando contra epidemias persistentes que afetam milhares de pessoas desde o início de 2025.

Igor do Vale/Estadão Conteúdo

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