Atividade de supervulcão na Itália acelera sem controle, coloca milhares de pessoas em risco e preocupa cientistas

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O supervulcão Campi Flegrei, uma gigantesca caldeira situada a oeste de Nápoles, na Itália, está avançando a passos largos para uma fase de transição crucial que deve ocorrer nos próximos dez anos. Um novo estudo científico revela que a atividade na região está se intensificando rapidamente. No entanto, os cientistas ainda não conseguem prever se esse momento crítico resultará em uma erupção catastrófica ou em uma reconfiguração interna do sistema vulcânico.

A preocupação dos especialistas não é para menos, já que a caldeira, com seus 15 quilômetros de diâmetro, abriga cerca de 500 mil moradores que estariam em rota direta de impacto caso o pior aconteça. Formado há 40 mil anos em uma explosão massiva, o vulcão deu sinais de sua força ao longo da história, incluindo um evento em 1528 que deu origem ao Monte Nuovo. Nas últimas sete décadas, o gigante tem mostrado sinais persistentes de instabilidade, acumulando episódios de terremotos frequentes e deformações no solo que fragilizaram a crosta terrestre local.

A física por trás do ponto de virada

Liderada por Davide Zaccagnino, pesquisador da Universidade de Ciência e Tecnologia do Sul, na China, a nova investigação utilizou modelos baseados em princípios físicos para mapear o comportamento do Campi Flegrei. Os dados revelaram que o vulcão entrou em um processo de “singularidade de tempo finito”. Isso significa que a velocidade da atividade não está apenas aumentando de forma constante, mas sim se acelerando progressivamente, como um carro cujo motor ganha potência de forma descontrolada.

O estudo, que foi disponibilizado na plataforma de pré-publicação arXiv e passa por revisão de pares, indica que esse ritmo frenético de aceleração deve se sustentar até o período entre 2030 e 2034. De acordo com os autores, o solo da caldeira já subiu cerca de 1,4 metro desde 2005 devido à pressão de gases e fluidos magmáticos profundos. Esse estresse contínuo empurra a crosta em direção a um limite de resistência física que inevitavelmente terá de ceder nos próximos anos.

O efeito acumulado do perigo

Para a comunidade científica, o grande diferencial deste momento é o desgaste histórico da região. Vulcanólogos que acompanham o caso, como Christopher Kilburn, da University College London, apontam que cada crise sísmica vivida pelo Campi Flegrei no século XX funcionou como um esforço repetido sobre uma corda tensionada. Como a crosta foi esticada sucessivas vezes nas décadas de 1950, 1970 e 1980, os abalos atuais encontram um terreno muito mais vulnerável e propenso a falhas.

Apesar do diagnóstico de urgência, os pesquisadores reforçam que o desfecho dessa transição permanece uma incógnita geológica. O esgotamento da resistência da crosta pode abrir caminho para o magma, gerando uma erupção de proporções imprevisíveis, ou pode simplesmente resultar em uma acomodação tectônica que acalme o sistema temporariamente.

Diante do cenário de incerteza, a equipe de Zaccagnino já trabalha no desenvolvimento de um sistema de previsão dinâmica. O objetivo é atualizar os modelos matemáticos a cada poucos meses com base nos dados mais recentes de tremores e deformação do solo, oferecendo um panorama constante para as autoridades de defesa civil da Itália.

Embora parte dos especialistas recomende cautela quanto à estipulação de datas exatas para uma possível erupção, há um consenso de que o comportamento do Campi Flegrei mudou de patamar. O comportamento histórico do supervulcão já não serve como um guia seguro para o que está por vir, exigindo atenção redobrada da ciência e das frentes de gestão de emergências.

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