Ataques nucleares contra alvos na Rússia e Belarus serão simulados em exercício entre França e Polônia, diz midia polonesa
A tensão geopolítica no Leste Europeu ganha um novo capítulo com o anúncio de exercícios militares conjuntos entre Polônia e França. Segundo informações do portal Wirtualna Polska, as manobras ocorrerão na fronteira leste da OTAN, concentrando-se no Mar Báltico e no norte do território polonês. O foco central das operações é a simulação de respostas estratégicas contra alvos na Rússia e em Belarus, utilizando o arsenal nuclear francês como principal ferramenta de dissuasão.
Durante os exercícios, a Força Aérea Polonesa assumirá o papel de suporte tático e inteligência. Utilizando caças F-16, os pilotos poloneses serão responsáveis pelo reconhecimento de longo alcance e pela identificação precisa de alvos. Em contrapartida, a França mobilizará seus caças Dassault Rafale, equipados com mísseis ASMP capazes de carregar ogivas nucleares. Enquanto a Polônia realiza ataques simulados com armamento convencional, como os mísseis de cruzeiro JASSM-ER, os franceses ensaiarão os procedimentos de dissuasão nuclear.
Alcance estratégico e alvos simulados
A logística da operação demonstra a capacidade de projeção de poder da França. Os caças Rafale possuem autonomia para voar diretamente de bases francesas até uma linha estratégica situada entre Budapeste e Kaliningrado. Dessa posição, as aeronaves estariam aptas a atingir alvos em solo russo e bielorrusso. Relatos do The Moscow Times indicam que pontos estratégicos próximos a São Petersburgo estão entre as coordenadas simuladas para esses treinamentos de defesa.
Um ponto crucial desta cooperação é a sua organização paralela à estrutura burocrática tradicional da OTAN. De acordo com fontes militares, essa escolha visa garantir agilidade na tomada de decisões, evitando os longos debates que costumam acompanhar a ativação do Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte. Este “braço armado franco-polonês” funciona como um plano de contingência adicional, permitindo uma resposta imediata em caso de agressão externa.
A nova doutrina de Emmanuel Macron
Essa aproximação militar é o reflexo direto da mudança na doutrina estratégica anunciada pelo presidente Emmanuel Macron em março. Diante do fortalecimento da cooperação nuclear entre Moscou e Minsk, além das incertezas sobre a estabilidade das garantias de segurança oferecidas pelos Estados Unidos, Macron defende que a Europa deve assumir as rédeas de sua própria proteção. O presidente francês sugeriu, inclusive, a extensão do “guarda-chuva nuclear” francês para aliados como Polônia, Alemanha e os países do Benelux.
O primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, confirmou que as conversas para um programa avançado de dissuasão nuclear estão em estágio avançado. Tusk enfatizou que o objetivo é armar-se ao lado de parceiros europeus para desencorajar qualquer tentativa de ataque contra a Polônia. Embora não esteja previsto o armazenamento permanente de ogivas francesas em solo polonês, a cooperação avançará para um nível prático, onde o uso periódico desses armamentos será ensaiado em solo aliado. Além da vertente nuclear, a França também disponibilizou à Polônia parcerias em tecnologia de reconhecimento por satélite, consolidando uma frente de defesa robusta e autônoma.